Continuem usando máscaras, a COVID não acabou e um deslize pode ser fatal

Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus./Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC

O pomposo anúncio do governo Doria de que máscaras serão desnecessárias em ambientes abertos a partir de 11 de dezembro de 2021 pode até parecer “bacaninha” como dizem alguns, mas não deve ser levado a sério. Embora o governo diga estar embasado pelo comitê científico de combate à COVID-19, o melhor a fazer é continuar se protegendo, ou seja, não dispensando as máscaras mesmo em ambiente aberto.

A principal forma de transmissão da COVID-19 são os aerossóis que estão no ar, ou seja, você pode ser contaminado aleatoriamente se estiver passando perto de alguém que tem a doença e dispersa o vírus pelo ar. Veja essa declaração:  “Tem um cuidado que deve nortear as nossas decisões: é ao ar que você respira. Álcool gel, lavagem de mãos, têm o seu papel, claro. Mas o ponto determinante é o ar. Não dividir o ar com as outras pessoas”, afirma a epidemiologista Denise Garrett, que trabalhou mais de 20 anos no Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos EUA.

Usar a máscara é uma forma de você se proteger e também de proteger os outros. Antes de mais nada, é um ato de empatia, de respeito e hoje pode ser considerado de cidadania. É, no mínimo, um desrespeito diante do que estamos vendo na Europa falar em retirar as máscaras aqui no Brasil.

Basta notar que a experiência europeia de liberação das máscaras não deu muito certo. A quarta onda de COVID chegou forte por lá e muitos países estão adotando restrições novamente, passaporte de vacinação (o que deveria ser feito aqui em TODAS as cidades brasileiras), bem como disponibilizando o imunizante para todas as pessoas.

Ah, mas a liberação das máscaras na Europa ocorreu em ambientes fechados também, mas aqui em São Paulo isso não vai acontecer. É verdade, mas no Brasil tivemos uma das maiores taxas de transmissão do mundo, recordes em cima de recordes de mortes pela pandemia e ainda fomos obrigados a aguentar idiotas defendendo tratamentos ineficazes com cloroquina e ivermectina. Liberar a máscara agora é induzir pessoas a pensar que está tudo bem, sobretudo numa época de festas de final de ano quando muitos irão se reunir sem responsabilidade alguma.

Para piorar, ainda estão discutindo o carnaval em âmbito nacional, se devemos ou não realizar a festa. Sabemos que o carnaval é uma indústria e que muita gente vive dela, entretanto a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) já disse que não é o momento e que não devemos fazer o carnaval em 2022, justamente porque ele pode ser um propagador do vírus, ele reunirá milhares de pessoas, o que pode gerar uma nova variante que seja resistente inclusive à vacina, milhares de pessoas vão se deslocar, inclusive de outros países para vir ao Brasil e isso pode desencadear uma nova onda. O momento ainda é de cautela, de calma, de percebermos que precisamos ficar atentos. Temos que reconhecer que a situação melhorou, mas não devemos dar espaço para que o vírus retorne.

Ao invés de discutir carnaval, o Brasil deveria estar lutando, especialmente os incompetentes políticos, pela vacinação das crianças de 3 a 11 anos, são elas que estão nas escolas, são elas que se contaminam, pois neste portal noticiamos inúmeras contaminações de alunos da rede estadual e municipal. O que os pais querem neste momento não é o carnaval, mas a vacina no braço da garotada. Passou da hora dos políticos colocarem o peso necessário nesta questão e assim esse contingente de pessoas receber o imunizante.

A máscara se transformou num símbolo de luta contra a COVID, abolir seu uso, mesmo que em campo aberto, nesta hora de incertezas é incentivar o vírus a circular mais.

Quem tiver juízo continuará usando, por amor à sua vida e a dos outros.

Renato Chimirri