Coronavírus: Nada será como antes!

Fiquem em casa/Foto: Pixabay

Djalma Nery, Especial para o São Carlos em Rede

Certamente as últimas semanas não tem sido fáceis pra ninguém. Dá pra sentir a tensão no ar; o clima de incertezas; o medo invisível; os números de mortos e infectados (que não são só números, mas gente, de carne e osso) que crescem exponencialmente; o perigo e a morte que se aproximam; o confinamento.

 

Ouso dizer que este é, em escala global, um dos momentos mais complexos e difíceis das últimas décadas. A alta transmissibilidade e letalidade do novo coronavírus, associada ao elevado grau de mobilidade dos indivíduos contemporâneos em um mundo globalizado, somado ainda ao sucateamento do sistema público de saúde de diversos países onde milhões vivem em condições precárias (como no Brasil, onde quase metade da população sequer tem acesso a saneamento básico para poder higienizar-se adequadamente), forma uma bomba relógio que anuncia um estrago de proporções incalculáveis.

 

Enquanto escrevo este texto, já nos aproximamos dos 800 mil casos confirmados no mundo. Certamente nas próximas 24 horas chegaremos ao primeiro milhão. São cerca de 40 mil mortes até o momento. Não são números banais e, tampouco, compatíveis aos de uma “gripezinha”. Uma vacina não ficará pronta em menos de um ano; e medicamentos realmente eficientes para mitigar os sintomas, podem ainda levar meses para serem desenvolvidos.

 

Felizmente tivemos tempo de nos preparar, já que a primeira confirmação da COVID-19 no Brasil veio apenas em 26/02, quase dois meses depois do seus primeiros sinais na China, e um mês depois das primeiras contaminações na Europa. Em São Carlos a primeira confirmação se deu apenas no dia 18/03, há menos de duas semanas. O fato de não sermos pego de surpresa PODE (e aqui friso o “pode”) salvar milhões de vidas – mas apenas se soubermos de fato aproveitar essa vantagem.

 

Mas só conseguiremos fazer isso se formos sensatos e fizermos aquilo que de fato está a nosso alcance para colaborar neste cenário. E aqui vão algumas dicas:

 

Antes de mais nada, é preciso ouvir as vozes de gente do mundo inteiro que vem se dedicando a entender e decifrar essa misteriosa doença. É preciso ouvir a ciência, as universidades, os especialistas e as pessoas que empenham suas vidas para dar respostas cada vez mais qualificadas. Não podemos dar ouvidos e repercussão a fake news, boatos, e aproveitadores e, mais do que nunca, precisamos estar atentos a cada uma das informações que nos chega.

 

Além disso, para aqueles que tem essa possibilidade e não desempenham funções que no momento sejam classificadas como essenciais, aqui vai um apelo: fiquem em casa! Não só pela saúde de vocês, mas pela de seus familiares, amigos e vizinhos. O isolamento social é um ato de consciência, de cidadania e de bom-senso. Se você puder adaptar sua rotina para sair o mínimo possível, faça isso, de forma que só estejam nas ruas aquelas pessoas que realmente precisam estar nas ruas, por uma razão ou por outra, diminuindo o ritmo de transmissão da doença e, consequentemente, sua letalidade. A vida é o bem mais importante que temos, é o único patrimônio completamente insubstituível e irrecuperável. Obviamente ninguém quer uma crise econômica, mas se o número de mortos for maior, a crise econômica também será, então é falsa essa dicotomia entre “salvar vidas” ou “salvar a economia”. Por maiores que sejam os impactos futuros, essa é a hora de nos concentrar na saúde e no bem-estar de nossa população.

 

Por último, este é sobretudo um momento de união, de fraternidade e solidariedade. Independentemente de qualquer outra coisa, essa é hora de unificar os esforços no combate a maior pandemia do nosso século. Não é hora de intensificar a polarização da política, desrespeitar orientações das autoridades mundiais de saúde e incitar a população a descumprir as normas de segurança que visam salvar vidas. É hora de ser responsável; é hora de sermos adultos. É hora de buscarmos saídas coletivas para apoiar aqueles e aquelas que estão mais vulneráveis nesta situação. Que esse isolamento social possa aprofundar nosso senso de sociedade e que possamos perceber a importância de pensar coletivamente.

 

Como muitos líderes mundiais e cientistas já disseram, estamos em guerra contra um inimigo invisível. E, neste momento, é fundamental que cessem as guerras entre nós para podermos vencer juntos a este adversário.

 

Certamente, depois desta pandemia, nada será como antes. Depende de nós fazer desta crise uma oportunidade. Um ponto de virada social e civilizatória. Um momento de profundo aprendizado sobre a importância da solidariedade, do respeito, da partilha, da união e do papel do Estado.

 

Fique em casa se puder, ajude quem puder ajudar, preserve-se e lave as mãos.

 

Dias melhores virão!