COVID-19: Quem se importa com a mãe trabalhadora?

Trabalho, filhos e pandemia

A volta de parte dos empregos com a reabertura econômica em meio ao recorde de mortos da pandemia de Coronavírus no Brasil suscita um outro debate também muito importante: onde as mães trabalhadoras deixarão seus filhos para poder retomar suas funções em locais que voltaram às atividades?

Ontem, uma mãe que voltou para o trabalho me contou o seguinte caso: “Moro com meu filho de 7 anos e estava trabalhando em casa, agora voltamos para as atividades e tive que deixa-lo com minha mãe, porque não tem outro lugar neste momento!”

Magda, nome que vamos usar, disse que há dois meses não vai para a casa da mãe justamente por causa da pandemia, pois sua genitora tem diabetes e portanto está no grupo de risco. “Nos falamos apenas por telefone e chamada de vídeo, mas agora não terá jeito!”

O medo de Magda reside justamente em perder o emprego num momento tão complicado como esse. “O discurso dos políticos é sempre bonito, mas um plano decente para ajudar as pessoas eles nunca tem, até para o Auxílio Emergencial o cidadão enfrentou filas neste momento em que 1400 pessoas estão morrendo por causa do vírus, sabe como é: eu tenho medo, mas tenho que trabalhar!”

A função de Magda voltará a ser exercida presencialmente e essa situação está se repetindo não somente em São Carlos, mas em todas as cidades do Brasil onde a retomada, em meio a aceleração da curva de mortes e novos contaminados pelo Coronavírus é cada vez maior e vem sendo colocada em prática. “O correto seria esperar passar e o governo ter um programa de apoio para que pudéssemos ficar em casa de maneira correta, pela questão da saúde, mas não se tem essa política, não se tem quase nada”, destacou.

Magda contou que seu ex-marido está trabalhando em outro país e neste momento não pode sair do local. “Ele é uma ótima pessoa, mas precisou fazer esse trabalho no início de janeiro e agora não consegue voltar, primeiro porque tudo paralisou e assim o que seria executado por lá também, agora que está retomando, sua família mora no sul Brasil, não tem ninguém aqui”, contou.

A jovem mamãe acredita que um mapeamento das mães trabalhadoras deveria ser promovido pelo poder público. “Seria preciso saber a situação das mães, porque ajudo na lição da escola, tenho que trabalhar e ainda preciso cuidar da minha casa, é uma tripla jornada, eu e outras mulheres estamos exaustas”, diz.

Imagem de fancycrave1 por Pixabay