Crônica: Quando as máquinas de pagamento automático do mercado não funcionam

Pagamento na máquina convencional

Eu sou um admirador da tecnologia de ponta, tanto que trabalho com a internet. Acho interessante ir comprar algo e poder pagar até com o celular ou um relógio de pulso devido aos avanços nos sistemas mundiais de cobrança, mas confesso que ultimamente tenho me perguntado o que está acontecendo.

Sou cliente de um supermercado em São Carlos que tem as famosas máquinas de pagamento automático. O cliente vai até lá, compra, passa o código de barras na máquina, empacota e paga a conta. Em teoria, tudo lindo, rápido e muito funcional. Antes de usar essas máquinas pela primeira vez confesso que tinha um certo receio, mas depois, isso há uns dois ou três anos atrás, nunca quis outra vida num supermercado e até estranho quando vou num deles que não tem o dispositivo.

Contudo, hoje fui fazer uma compra no final do expediente, supermercado cheio, gente saindo pela tampa. Peguei dez mercadorias e rapidamente me dirigi para a máquina de pagamento automático. Cheguei e vi que todas estavam ocupadas, mas como tudo é muito rápido resolvi esperar.

Eram quatro máquinas, os clientes passando suas compras. Na primeira, o código de barras não batia e a atendente precisou ir até o local para “destravar” a compra, na segunda um rapaz tentava passar o cartão e a máquina travava (toca a moça ir com a maquininha de lojinha passar a compra), na terceira a mesma coisa, com o detalhe que nem se lia o produto e a mulher também não conseguia pagar. Ah, ainda tinha a quarta máquina, mas essa estava, como diria minha filha de 7 anos: “Morrida!” Fiquei pensando: será que essas máquinas de tanto usar já não estão ultrapassadas?

A demora foi tão grande que uma fila de acumulou, quando tentei ir para uma das máquinas, a moça do mercado me olhou com piedade e falou: “Tá desligada, moço!”

Nisso senti que a coisa “seria mandada”. Olhei para os demais caixas e tinha gente saindo pelo ladrão em vários locais. Os caixas rápidos, de até 20 itens, estavam entupidos de pessoas, pensei que essa não seria uma alternativa. Depois, olhei para os outros e via carrinhos abarrotados, o povo se abanando (mesmo com o ar condicionado) e aquelas filas intermináveis.

Resolvi esperar, demorou uns vinte e cinco minutos para passar meus dez itens, dado que os demais ainda estavam concluindo suas operações. Nesse meio tempo eu vi um senhor de pelo menos 70 anos que entrou no mercado logo depois de mim, encheu um carrinho, ficou na fila do caixa de idoso (que também estava lotado), passou suas compras, colocou no carrinho e depois encontrou comigo no estacionamento do local.

Ele me olhou, havia parado o seu carro do lado do meu, e disse: “Moço, nem sempre a tecnologia resolve tudo, as vezes os seres humanos são mais rápidos!”

Continuo gostando da tecnologia, dos caixas automáticos, mas a palavra do senhor me fez refletir. Se aquele lugar onde estão as máquinas tivessem caixas normais, o atendimento não seria mais célere? Essa é uma boa discussão para uma próxima crônica.

Renato Chimirri