De Joinville para Viracopos: Céu cinza, chuva, mas um voo Azul com uma equipe preparada

Foi num desses que voamos tranquilamente

Pensa num medo? Aeroporto fechado, neblina, frio e chuva. Era o embarque de volta para Viracopos. Estávamos voltando do aeroporto de Joinville para o Estado de SP, depois que minha mulher foi ao Congresso da Sociedade Brasileira de Química e eu fui fazer turismo com minha filha.

Sentado na sala de espera aguardávamos o voo. O primeiro da LATAM foi embora às 10h45. O nosso seria da Azul, às 10h55, mas o céu não estava para brincadeiras, o avião ATR 600 precisou dar algumas voltas para pousar com tranquilidade devido ao tempo.

Voar nessas condições sempre me deixa com medo. Sentei na poltrona, apertei os cintos e vi o comandante sair da cabine, com um tranquilidade e sorriso no rosto, Julio Grizze saiu, foi até o corredor do avião falou bom dia aos passageiros e colocou uma ponta de alegria em todos que estavam assustados com o tempo.

Decolamos, eu com medo, o céu fechado. No ar, o comandante entra no rádio e nos fala: “O tempo aqui está fechado, vamos balançar um pouquinho (turbulência), mas é só um pouquinho!”

Todo mundo no avião sorriu com a atitude e ficou mais relaxado. Balançamos um pouco, não víamos nada por causa das nuvens, mas o comandante Grizze voltou para o ar: “Pessoal, vocês estão com medo? Fiquem tranquilos, vai balançar mais um tiquinho, mas já passa, imaginem um dia bonito? É assim que está em Campinas, um sol lindo, já, já estamos lá!”

Meu parceiro de banco, um professor da UFSCar de Sorocaba, também sorriu e falou: “Se ele está tranquilo nós também estamos!” Pensei: “Vou me acalmar mais um pouco!”

O avião balançou um pouco, mas a conversa fluía depois da intervenção do comandante que ainda lembrou que a data de ontem era o Dia Internacional das Aeromoças e naquele voo tivemos duas que nos trataram tão bem que merecem todos os cumprimentos.

Em dado momento, esperávamos o serviço de bordo famoso da Azul e lá vem nosso anjo Grizze falar novamente: “Amigos, tenham calma, eu suspendi o serviço de bordo justamente porque o tempo é instável e pode balançar um pouco, imaginem se vocês se ferirem? Eu não durmo hoje! Sei que é hora do almoço, fome, vontade de tomar uma Coca-Cola, mas quero que todos desçam sãos e salvos, estamos a quinze mil pés e vamos chegar em 23 minutos!”

A prudência do comandante nos deixou tranquilos, tínhamos um amigo conversando conosco e que estava muito seguro. Minha filha, Maria Antonia, de 7 anos, fazia sua primeira viagem de avião e estava sorrindo, o comandante Grizze não sabia disso, mas ele tinha a exata noção de que estava transportando pessoas que confiavam nele, justamente pelo seu diálogo sincero com a tripulação.

Quando o céu abriu, lá vem o comandante de novo: “Olhe o litoral, vejam que dia lindo!” E lá fomos nós ver o litoral brasileiro, o mais belo do mundo, as pessoas, a paisagem, e um voo que ficou bem tranquilo, leve e familiar!

No momento em que entramos para a direção de Viracopos, o comandante novamente interagiu: “Vamos fazer uma ‘curva’ e iremos para Campinas, olha Campinas ali!”

E assim o avião se deslocou e calmamente fomos observando as cidades ao lado de Campinas e começamos a ver Viracopos, o que era tormenta no Sul do Brasil, deu aquele susto, mas fomos tranquilizados, saíamos das nuvens carregadas e vimos a beleza do nosso país, pousamos tranquilamente e com alegria em Viracopos e ainda ganhamos os petiscos para a alegria de quem estava com fome.

Quando entramos no ônibus para irmos ao desembarque vi que o comandante Grizze desceu do avião e foi conversar com o pessoal da Azul, fiquei morrendo de vontade de descer e pedir para tirar uma foto com aquele que parecia ser amigo de todos no voo há um muito tempo, mas tive vergonha e não fiz.

Porém, agora aqui no meu território jornalístico posso estender meus cumprimentos ao comandante e a toda a equipe de Azul. Não ganho nada para falar bem deles, mas recomendo a companhia, pois fomos bem tratados, parecia que estávamos em casa. É isso, foi uma viagem Azul, num dia de céu cinza.

Valeu a pena! Recomendamos esse passeio para Joinville, a cidade é linda!

 

Renato Chimirri é jornalista.