Depois de sofrer um AVC, jovem conta como superou o problema com atendimento da Santa Casa de São Carlos

Daniela Ferreira comemorando o aniversário dois meses depois de sofrer o AVC – Foto: Arquivo Pessoal

O AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame, é a segunda doença que mais mata no Brasil e no mundo. Uma em cada quatro pessoas vai sofrer um AVC durante a vida. Os dados são da Rede Brasil AVC, uma organização não governamental criada com a finalidade de melhorar a assistência global ao paciente com AVC em todo o País.

Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, que representa 20% dos casos, ocorre quando um vaso cerebral se rompe, provocando hemorragia. Já o mais comum, o AVC isquêmico, representa 80% dos casos e acontece quando uma artéria fica obstruída, impedindo a passagem de oxigênio para as células do cérebro, que acabam morrendo.

Para este tipo de AVC mais comum, a Santa Casa de São Carlos oferece um tratamento com base na aplicação de um remédio chamado trombolítico. Ele desentope os vasos sanguíneos e faz com que o sangue volte a irrigar o cérebro. Além do hospital contar com uma equipe com 5 neurologistas especializados. Com isso, a chance do paciente ter sequelas diminui muito.

De janeiro a julho deste ano, a Santa Casa atendeu 217 pacientes com AVC. Desses, 27 receberam o trombolítico, o que corresponde a apenas 12,4% do total. Isso porque a grande maioria dos pacientes chega ao hospital muito tempo depois do início dos primeiros sintomas, o que inviabiliza o tratamento. “Para que o remédio consiga dissolver o coágulo e assim desentupir os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, ele precisa ser aplicado no paciente até 4 horas e meia depois do aparecimento dos primeiros sinais. Mas poucos pacientes têm chegado até nós dentro desse tempo”, explica o coordenador da Neurologia da Santa Casa, Vitor Marques.

O neurologista Vitor Marques no atendimento a paciente com AVC – Foto: Arquivo Pessoal

Aos 34 anos, a auxiliar de produção, Daniela Ferreira (foto em destaque), teve um AVC. “Acordei com dor de cabeça, mal estar e cansaço. Mas tomei um banho e fui trabalhar. Mas já no trabalho, a náusea ficou mais forte e parecia que ia desmaiar. Quando meu chefe foi me levar até à cozinha, meu lado direito paralisou. E a empresa me levou às pressas para a UPA. De lá, fui transferida para Santa Casa”, conta. 

Quando chegou ao hospital, Daniela não conseguia mais falar e nem mexer o lado direito do corpo. Ela foi atendida pela equipe de neurologistas da Santa Casa e recebeu o tratamento para o AVC. Hoje, 11 meses depois, retomou a rotina.

“Eu sou muito grata aos colegas de trabalho que me levaram rapidamente à UPA para ser atendida. E devo muito à equipe médica que me atendeu na Santa Casa. Fui socorrida no momento certo e nasci de novo”, comemora Daniela.

CIRURGIA INOVADORA

O neurocirurgião endovascular, Lucas Bonadio, em cirurgia realizada na Santa Casa – Foto: Arquivo Pessoal

Mas e no caso dos pacientes com AVC isquêmico que chegam depois das 4 horas e meia do aparecimento dos primeiros sintomas? A equipe da Neurocirurgia da Santa Casa conta com profissionais especializados para um tratamento relativamente novo no Brasil: a trombectomia. A técnica funciona como uma espécie de cateterismo, que ajuda a aspirar o coágulo para desobstruir o vaso sanguíneo no cérebro e pode ser aplicada até 24 horas depois do início dos sintomas.

A trombectomia é aprovada desde 2015 em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Holanda e Espanha. No Brasil, um estudo foi realizado de 2017 a 2019 por 12 centros de saúde nacionais. Os neurologistas concluíram que o novo método aumenta quase três vezes a chance do paciente de ficar livre das sequelas. O estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de analisar a possibilidade de incorporar o procedimento no SUS.

“Aqui na Santa Casa nós realizamos a trombectomia, com equipamentos de ponta como o dos grandes centros. Mas por enquanto, os procedimentos são feitos para os pacientes dos convênios e particulares. Torcemos que para o Ministério da Saúde inclua a técnica na rede SUS em breve”, explica o neurocirurgião endovascular da Santa Casa, Lucas Bonadio.

SINTOMAS E PREVENÇÃO

Independentemente do procedimento a ser adotado, é fundamental identificar os sintomas o quanto antes e procurar por atendimento médico. Quanto mais rápido o paciente for atendido, maior as chances de ficar sem sequelas.

Por isso, é tão importante ficar atento aos sintomas. Uma dica dos especialistas é lembrar da sigla SAMU:

SORRISO – Peça para a pessoa dar um sorriso. Se a boca ficar torta, é um sinal de AVC

ABRAÇO – Peça para a pessoa dar um abraço. Se a pessoa não conseguir levantar os dois braços, é outro sintoma.

MÚSICA – Peça para a pessoa cantar. Se tiver dificuldade, é outro sinal de alerta.

URGENTE – Se a pessoa apresentar qualquer um desses sintomas, acione o SAMU.

E mais importante ainda é se prevenir. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, 80% dos casos poderiam ser evitados. E para isso, não tem jeito, é preciso mudar o estilo de vida e trabalhar para controlar a pressão alta, o diabetes e o colesterol; parar de fumar; controlar o estresse praticando atividade física regularmente; se alimentar bem e assim evitar a obesidade e procurar um médico regularmente.