Depois do massacre de Suzano, nossos filhos nunca mais irão para a escola da mesma forma

Eu tenho uma filha de sete anos e quando fiquei sabendo  do massacre em Suzano, ela estava justamente se trocando para ir à escola. Naquele dia pensei em não enviá-la, mas lembrei que era uma semana de avaliação de sua classe e era importante que ela estivesse presente em sua escola que é da rede privada. Mas, confesso, não foi fácil manda-la para a aula sabendo dos acontecimentos que haviam ocorrido numa cidade do Estado de SP que não é tão distante assim de São Carlos.

Pessoas, no caso crianças e adultos, foram mortos brutalmente, todos sabem da história, mas o pior de tudo isso, além das irreparáveis mortes está se dando em novas manifestações de intolerância que começam a pipocar pela internet e que a imprensa não tem se furtado em noticiar. Pais como eu e você estão aterrorizados e com medo, pois não sabemos o que pode acontecer em qualquer escola do Brasil, não temos noção de quantos intolerantes existem por aí se escondendo no anonimato das redes sociais e deixando para se mostrar somente nos momentos de ataque como o que aconteceu em Suzano.

Depois do ataque, vimos situações de supostas ameaças acontecerem em todos os cantos do Brasil e até em nossa região, o que prova somente uma coisa: a internet tem um lado ótimo de prestação de serviços, de promover encontros, achar coisas perdidas, ser fonte de pesquisa, ensino, transações comerciais, mas também possui esse aba sombria onde pessoas que precisam de ajuda psiquiátrica urgente se escondem e como não encontram o apoio que precisam acabar externando da pior maneira possível aquilo que arquitetam por anos. O que fazer? Converse sempre com seu filho, busque ajuda se você não o entende. Não o deixe só, nunca!

Temo que a onda de intolerância estimulada pelo Brasil da atualidade se espalhe e novos ataques surjam antes que possamos evita-los, Deus queira que eu esteja enganado, mas como pai vejo o medo tomar conta de minha pessoa depois de tudo que vi, presenciei e noticiei fazer parte de meu cotidiano cada vez que ouço a palavra escola. Triste, não?

Ainda mais porque já sabemos que os governantes não olharam para a educação brasileira ao longo dos anos como deveriam. Antes do massacre em Suzano tivemos notícias de professores apanhando em sala de aula, de profissionais com doenças ocupacionais deixando o magistério e os que sobram tentam sobreviver com um salário de fome, enquanto isso deputados se aposentam com salários de R$ 28 mil e os seus próceres com mandato querem tirar o direito dos mais humildes à se aposentar com uma reforma draconiana.

Alunos são mortos com tiros na escola, o local mais sagrado para qualquer pessoa, onde se forma o cidadão e o seu espírito crítico! É na escola que um homem começa a tomar conhecimento de como a sociedade se forma e quais são as opções que ela oferece a ele durante seu crescimento.

Antes achávamos, erroneamente, mesmo sabendo que as escolas estão sucateadas e sem segurança que nossos filhos estavam seguros nesse ambiente e hoje descobrimos, após o derramamento de sangue que isso não é verdade. A gente já sabia, mas fazia vista grossa…

Quem estuda na escola pública ficará seguro depois do massacre de Suzano? E os pais? Como eles ficarão em suas casas sabendo que seus filhos estão nessas escolas? A violência que inunda na sociedade brasileira é a prova cabal de que esse país não investe o suficiente em educação e que não há um plano para formar pessoas, ao contrário, o cidadão brasileiro é um ser que não carrega uma identidade cidadã, não aprende a preservar a natureza, nem seus valores e está cada dia mais intolerante.

Hoje, no Brasil de 2019, ter o filho na escola não é mais sinal de segurança e o que vamos fazer? Iremos reclamar à quem? Somos vítimas do monstro que deixamos os políticos construir.

Renato Chimirri