Djalma Nery confirma pré-candidatura a vereador e Ronaldo Mota é pré-candidato a prefeito pelo PSOL

Djalma (esq) tentará vaga à Câmara, Ronaldo deve se candidatar ao cargo de prefeito, ambas as candidaturas precisam ser ratificadas em convenção partidária

Na última terça-feira (30/06) o professor e ambientalista Djalma Nery, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que recebeu expressivas votações nas eleições de 2016 (quando concorreu a vereador) e 2018 (concorrendo ao cargo de deputado estadual), anunciou publicamente em suas redes sociais a retirada de sua pré-candidatura a prefeito de São Carlos nas eleições municipais deste ano. Ele aproveitou a ocasião para anunciar seu apoio à pré-candidatura de Ronaldo Mota, também pelo PSOL, na disputa ao poder executivo municipal.

 

Ambos nos concederam uma entrevista conjunta para apresentar os detalhes e motivações desta movimentação. Confira abaixo.

 

P: Djalma, você teve bons resultados eleitorais em 2016 e 2018 afinal você estava estreando na política, e vinha aparecendo com boas citações nas pesquisas na disputa à prefeitura (considerando uma primeira candidatura ao cargo, em um partido pequeno e de esquerda), por que decidiu abrir mão da disputa e por que decidiu apoiar o nome do professor Ronaldo Mota no pleito municipal deste ano?

 

Djalma: sempre defendi que a prática política (seja nas eleições ou fora dela) não é espaço para pensar em projetos pessoais, pelo contrário. Acredito que ela deve expressar ao máximo a união de todas as lutas e demandas justas, legítimas e necessárias que vem da classe trabalhadora. O conteúdo é o que importa mais; o projeto deve estar em primeiro lugar. Depois de muitas conversas e reflexões dentro e fora do PSOL, motivadas pela pergunta “o que é melhor para São Carlos?”, foi que chegamos juntos a atual decisão. Nunca fiz nem faria deste processo uma demanda pessoal minha, e fico extremamente feliz com o resultado. Pensando em um nome que pudesse agregar diversos setores e lutas de nossa cidade e que tivesse competência e maturidade para encarar o desafio, é que chegamos ao companheiro Ronaldo Mota. Ele reúne diversas qualidades e características fundamentais para liderar este processo que estamos iniciando: além de seu profundo conhecimento do processo legislativo e dos desafios e possibilidades da administração pública em nosso país, Ronaldo é um professor, negro, trabalhador, sindicalista, militante e grande orador. Ele vive na pele diversos desafios que outros apenas ouviram falar. Ele tem experiência, trajetória ilibada, já foi candidato a prefeito pelo PSTU em 2012 (se saindo muito bem nos debates), tem conhecimento teórico e é de longe a pessoa mais qualificada neste cenário para dirigir uma gestão municipal em São Carlos que seja revolucionária, fazendo de nossa cidade uma referência internacional em direitos humanos, educação, meio ambiente, produção científica, cidadania e bem-estar social.

 

 

P: Ronaldo, nós conte mais sobre sua trajetória, sua formação e o que te motivou a tomar essa decisão. Você se sente apto ao desafio?

 

Ronaldo: sou professor da rede pública  estadual e particular há mais de 30 anos. A minha atuação na educação passa pelo campo acadêmico onde fiz mestrado na Ufscar e um livro didático de Química voltado ao ensino médio. Também tenho uma larga trajetória política por meio da atuação na Apeoesp, Sindicato dos Professores do Ensino Estadual, mas também auxiliando várias outras lutas sociais. No campo político partidário fui candidato a vereador na década de 90 e em 2012 a prefeito, onde tivemos a vitória política de obrigar os candidatos a se comprometerem com a implantação a Lei do Piso para os professores municipais. Estamos atualmente em um momento de muitos retrocessos e por isso aceitei o desafio de aceitar a indicação para ser pré-candidato a prefeito pelo PSOL, onde apresentaremos um projeto de resgate da qualidade de vida para o cidadão de São Carlos.

 

P: Djalma, nesse caso, você será candidato a vereador? E qual sua perspectiva e análise para o processo eleitoral deste ano e como pretende participar dele?

 

Djalma: Sim, meu caminho agora será esse: lutar para garantir representação parlamentar para nosso partido e nossas ideias pela primeira vez aqui em São Carlos. O PSOL nunca teve um único vereador no município, mas chegou muito perto nas eleições de 2016. Aliás, se repetirmos o mesmo resultado da última eleição, pelas novas regras, garantimos ao menos uma cadeira. É muito importante para o município que tenhamos uma Câmara Municipal plural, representativa e com pessoas competentes, cenário bem diferente do atual, onde praticamente não existe oposição e a imensa maioria dos vereadores representam os mesmos segmentos. Pretendo me esforçar na articulação de um projeto de união do campo progressista, de esquerda, que tem ideias e propostas voltadas à coletividade, aos direitos humanos e às questões sociais. E irei trabalhar para que esse campo conquiste espaços no poder legislativo e executivo, pois acredito que é esse tipo de pensamento que irá melhorar a vida em nossa cidade, garantindo serviços públicos de qualidade e o interesse da população no centro das preocupações da gestão municipal. Tenho certeza que temos condições de vencer se nos unirmos, e executar a melhor gestão de todos os tempos em nossa cidade!

 

 

P: Ronaldo, qual seu principal objetivo ao se tornar pré-candidato a prefeito de São Carlos? Como você acha que pode colaborar para melhorar a vida da população de nosso município?

 

Ronaldo: O PSOL tem larga tradição na defesa da população e das periferias. É preciso acabar com o ciclo de governabilidade das elites que aprofundaram, por exemplo, a crise da saúde, onde falta tudo. E nesse momento de pandemia o governo municipal seguiu a diretriz nacional e estadual com a flexibilização da quarentena devido à pressão do empresariado. Em nossa concepção, isso deveria ser diferente: a vida acima do lucro. Outro exemplo da catástrofe da administração atual e também da passada é a crise no transporte público. Há um contrato emergencial desde 2016 que permite a concessão do serviço à Suzantur, cuja qualidade é muito baixa. É preciso priorizar o transporte público, incentivar os usuários a deixarem o carro em casa para utilizar o transporte público.  Para isso é preciso de um transporte eficiente, de qualidade e com o custo social, rumo a tarifa zero.

 

 

P: Quem vocês esperam que sejam seus aliados neste processo e qual é a expectativa de vocês com relação ao resultado das eleições?

 

Ronaldo: fazemos um chamado desde já para a unificação e construção de um projeto com todos os setores comprometidos com a justiça social, com uma cidade que priorize a vida com qualidade, o lazer e a cultura.

 

Djalma: nossa expectativa é aglutinar todo o campo progressista de São Carlos por meio de um projeto unificado, coerente e bem estruturado. Queremos dialogar com os grupos das universidades públicas e privadas, estudantes e professores; com os pequenos e médios empresários que querem uma São Carlos mais humana e fraterna; com os trabalhadores de todos os segmentos; sindicatos; entidades do terceiro setor; movimentos sociais combativos e partidos da esquerda. Dessa forma, acreditamos ser possível vencer as eleições mesmo encarando adversários com muitos recursos financeiros e dispostos a jogar baixo na disputa. Vamos mostrar na prática a já conhecida máxima: “o povo unido jamais será vencido”. União é o primeiro e mais importante passo para essa vitória, e vamos lutar por isso até o fim.