Dona do Vale Bar afirma estar indignada e disse que tomou prejuízo em torno de R$ 40 mil

Polêmica na Matinê

Alice Ferreira é a proprietária do Vale Bar, local que no sábado de Carnaval, teve dispersada pela Polícia Militar (que apoiava a Prefeitura) um evento carnavalesco que ocorria no estabelecimento e nas imediações da rua São Sebastião com a 9 de Julho.

Segundo a comerciante, o evento Carnavale era para ser aberto, ou seja, ninguém iria pagar a entrada com música para todos. “Uma forma de não deixar o bar muito cheio era promover o ambiente embaixo aberto com o som em cima, sem cadeiras, ou seja, quem estivesse passando na rua iria ouvir e quem estava dentro iria escutar, era para ser um som democrático”, afirmou.

O evento, de acordo com a comerciante, foi divulgado com antecedência e no domingo anterior ao carnaval, portanto em 24 de fevereiro, explodiu de maneira orgânica a festa via facebook, com pessoas se chamando para participar. “Fiquei com um pouco de medo de não dar conta devido a esse número de pessoas por isso fui atrás da Prefeitura para fechar a rua, tenho alvará de funcionamento, sou uma MEI, assim que você obtém esse documento o alvará também sai, tenho Corpo de Bombeiros e tudo certinho”, lembrou. “Queria uma autorização para fechar a rua, pois se o pessoal estivesse bebendo poderia ficar perigoso”, prosseguiu.

Alice informou que procurou a Prefeitura no setor de Cultura, na secretaria de Segurança e também na de Habitação. “Todos as pessoas com quem falei estavam inclinados em me ajudar e queriam que desse tudo certo, vieram com um discurso que estavam ao meu lado e queriam fazer a coisa acontecer”, disse.

Segundo Alice, na quinta antes do Carnaval, iria haver uma reunião na Prefeitura onde seria deliberado se a rua poderia ser fechada ou não. “Quando chegou à sexta-feira veio a resposta de que eu não poderia fechar a rua porque a Cúria Diocesana, que fica longe do bar, a dois ou três quarteirões, tinha sido contra e para não ocorrer desentendimento o local não poderia ser interditado, então perguntei o que fazer porque a repercussão do evento era grande e não iria deixar realiza-lo e questionei se as pessoas dominassem a rua o que poderia ser feito e me foi dito que se ocorresse isso fora do estabelecimento eu não teria nada a ver com isso”, ressaltou.

A comerciante explicou que manteve o mapa do Carnavale que havia sido pensado com antecedência. “E iríamos avisar nas redes que não tínhamos alvará para fechar a rua, tenho toda essa conversa”, assegurou.

Alice afirma que no dia do evento manteve contato com a secretaria de Habitação e que avisou que na parte de cima se instalaria um som para todos até 19 horas e depois só permaneceria no bar quem pagasse porque o som seria com DJ na casa fechada. “Foi me dado, um ok. Eu disse que até certo período seria um som democrático para todos ouvirem e depois apenas para quem continuasse a festa dentro da casa com as portas fechadas”, contou.

A proprietária do bar recordou que quando o evento começou as pessoas dentro e fora do bar começaram a se reunir rapidamente e uma aglomeração se formou. “Vi que a Polícia Militar estava lá, fui falar com eles e dizer que era a responsável e que se acontecesse qualquer coisa poderiam me procurar, deu meia-hora que falei com eles, fui até o banco depositar dinheiro quando a funcionária me ligou e disse que a polícia estava mandando desligar tudo”, pontuou.

Depois de ser avisada, Alice voltou ao bar e perguntou de quem veio a ordem para acabar com o evento. “Por que isso?  Perguntei. Porque se estava falando com todo mundo da Prefeitura com secretaria de Segurança e da Habitação, o que mais eu precisaria fazer para ter um contato transparente, pacífico e sincero, porém um PM me disse que ordem veio dele mesmo que a rua havia sido fechada, eu disse que não havia fechado a rua, mas que as pessoas haviam fechado, porque eu não posso fechar a rua, mas não tinha como controlar as pessoas, me disseram que era o meu evento que estava causando tumulto, então você precisa acabar com o evento, fechar as portas”, recordou.

Alice salientou que tentou argumentar dizendo que não tinha acontecido nenhuma briga no Carnavale e que tudo estava em paz. “Não tinha menor no meu bar, para entrar aqui dentro era preciso mostrar o RG e o segurança permitia, se fosse para usar o banheiro tinha uma pessoa que acompanhava, não havia menores no bar, isso foi conversado a semana inteira, todos estavam treinados, essa era uma questão tranquila”, alega.

De acordo com Alice, assim que a PM chegou no bar seus funcionários desligaram o som, ela tentou fazer contato com a fiscalização da Prefeitura e afirma que ouviu que seria encaminhada ao distrito policial por desobediência. “Não sei qual a desobediência”, comenta. “Não deixaram nem eu tentar resolver o que estava acontecendo e não me explicaram, foram extremamente ríspidos, você fica sem respostas e não consegue obter nada, parece que a solução não era uma opção, apenas se poderia fechar, disseram que eu poderia ser conduzida, não seria contra, mas que os funcionários precisariam ficar no bar para receber, teve um policial que gritou com meu namorado, não sei o motivo, mas quando eu olhei para ver o que estava acontecendo era porque ele não respondia à PM, porém meu namorado é sueco e não fala português, ele olhava e não entendia o que estava acontecendo, tive que gritar que ele não entendia a nossa língua”, emendou.

Depois de toda essa confusão, Alice contou que foi conduzida e ficou ao lado da viatura, mas que a festa já havia acabado, não se tinha mais nem som. “Mas o povo continuou na rua, porque eles não tinham para onde ir, foi quando se decidiu jogar as bombas, a multidão se acabava na esquina da 9 de Julho com a São Sebastião e os policiais estavam do outro lado da rua, daí vieram as bombas, o pessoal começou a correr, houve desespero de jovens, adultos e crianças porque é uma festa mais familiar, ninguém sabia para onde ir e parecia um cenário de guerra, teve gente que questionou porque estavam fazendo isso e levaram spray de pimenta, me jogaram dentro da viatura e se começou a perseguir as pessoas”, afirma.

Alice disse que testemunhou toda a ação policial, inclusive a repressão as pessoas que estavam na rua. “Estava na viatura acompanhando tudo isso”, destacou.

Sobre a alegação de que existia um homem com uma faca no meio dos frequentadores do Carnavale, fato inclusive que foi narrado na entrevista do Capitão da PM, Paulo Roberto Nucci Jr, ao São Carlos em Rede, Alice alega que desconhece a situação: “Isso era impossível, as pessoas que tomaram bomba desceram, esse cara que foi pego com faca está sempre no Extra porque ele dorme ali, é um morador de rua que fica no local  e está sempre no supermercado que foi onde eu o vi e não no meio das pessoas, o indivíduo já é conhecido da gente, sabemos que são os noias da região, eles estavam pedindo esmola no Extra e um pouco de pinga para quem comprava bebida no mercado”, disse.

Na delegacia, a comerciante falou que foi lavrado um boletim de ocorrência de desobediência, mas com o qual ela não concorda e que pretende contestar o fato. “Também levei um auto de interdição, mas ele é do evento Carnavale porque o evento estava com caráter público e que eu não poderia realiza-lo, eu disse então que tudo bem, mas que poderia abrir minha casa, porém disseram que o evento Carnavale estava interditado, mas disse que o Carnavale não era a minha casa, foi entendido assim”, afirmou. “Porém no domingo fiz outro evento com outro nome, som no palco, seria cobrada a entrada, diferente que o Carnavale que era aberto, já no Domingueira de Folia cobraria de R$ 10 a R$ 15, uma entrada cara, porque cobramos de R$ 2 a R$ 5 e esse valor para o meu público que é universitário é caro e antes de eu abrir o bar, estava lavando a calçada, passou um policial e disse que eu não poderia funcionar, ou seja, no domingo fui impedida de trabalhar, como não queria deixar meus funcionários mais desgastados acabei não abrindo e tomei um prejuízo de mais ou menos R$ 40 mil e a minha casa não está interditada, no auto de interdição está o evento Carnavale, não há nem o meu CNPJ no documento”, prossegue.

Alice Ferreira informou que continua indignada com o caso e que é uma comerciante que trabalha de maneira honesta e regularizada, conforme documentos que a mesma forneceu para a reportagem.

Neste link você pode conferir a versão da PM

Cúria Diocesana se posiciona sobre Carnavale

Tendo em vista a matéria “Dona do Vale Bar afirma estar indignada e disse que tomou prejuízo em torno de R$ 40 mil”, veiculada nesta data de 07 de março de 2019, no portal “São Carlos em Rede”, esta assessoria vem esclarecer que:

A Cúria Diocesana nunca fez qualquer oposição ao evento e não tem interesse em proibir o Carnaval de rua, considerado uma festa cultural brasileira.

O evento foi realizado distante das dependências da Cúria, não havendo por parte dos Bispos ou dos membros do serviço administrativo Diocesano nenhuma objeção, desde que se atendam os regramentos municipais e de segurança para a realização do evento.

São Carlos, 07 de março de 2019

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E IMPRENSA DA DIOCESE DE SÃO CARLOS

 

Por Renato Chimirri