Dona Mima: a artista que eternizou os painéis da Catedral de São Carlos

Painéis famosos da Catedral

Por Cirilo Braga

A vida é curta, a arte é longa. No dia 12 deste mês, transcorre o centenário de Almira Ragonesi, artista plástica são-carlense conhecida como Mima, que faleceu em março de 1997 deixando um rico legado artístico.

E não poderia haver espaço mais sagrado para eternizar alguns de seus marcantes trabalhos do que o altar de uma igreja. Não qualquer igreja, a Catedral Diocesana de São Carlos, cuja nave reúne os quadros da Via Crucis produzidos por ela, além dos belíssimos painéis colocados no altar-mor.

Desde que perguntei de quem seria a autoria daquelas obras de arte, os relatos que ouvi e li sobre Mima, fizeram referência a uma mulher de magnífica passagem por essa vida.

Almira nasceu em São Carlos em 12 de dezembro de 1920. Estudou no Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião, onde se formou professora normalista. Em 1950, ingressou no magistério secundário por concurso de títulos e provas, escolhendo vaga no mesmo Instituto de Educação, onde lecionou Desenho e Educação Artística.

Foi professora também na Escola de Belas Artes D. Pedro II de São Carlos, da qual foi uma das fundadoras, e dirigiu a Escolinha de Arte Infantil de São Carlos. Recebeu vários prêmios em Salões de Artes Infantis como o Primeiro Prêmio no Concurso Internacional de Arte Infantil em Tóquio e 16 menções honrosas em 1966.

A artista era autodidata e suas obras compuseram muitas exposições individuais e coletivas. Além de centena de retratos, produziu importantes obras de cunho modernista em São Carlos. Além das peças que tornaram a Catedral uma galeria de arte, são de sua autoria retratos expostos na Biblioteca Central da Escola de Engenharia (EESC-USP); a Via Sacra da Igreja Nossa Senhora do Carmo; a obra “Garimpo” na sede do Banco do Brasil e um conjunto de oito obras no acervo do Museu de São Carlos.

Em 1969, recebeu da “Folha de S. Paulo” e da Secretaria da Educação, Diploma de honra ao Mérito Educacional. Em resposta ao convite do professor Antonio D’Ávila, Secretário da Educação, proferiu palestras na Escola Caetano de Campos sobre Arte Infantil para professores primários da Capital. Na época trabalhou, a convite da “Folha de S.Paulo”, na Cidade da Criança, em Bauru, como professora de pintura infantil, e em São Paulo.

Marcada pela presença forte das cores e com traços geométricos definidos a arte de Mima era inconfundível. Baianas em passos de dança, casarios coloniais, as marinas, as cores de suas favelas e os seus retratos tornavam a obra da artista singular.

Nas fotos, a artista com o professor Julio Bruno, com quem se casou em 1967, e seus painéis na Catedral.