A Xmobots, empresa de tecnologia aeroespacial sediada em São Carlos, recebeu da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a autorização de projeto do Nauru 100D, sistema de aeronave remotamente pilotada desenvolvido no Brasil para aplicações de Defesa e Segurança. A certificação permite operações além da linha de visada do piloto (BVLOS) a distâncias de até 30 quilômetros, dentro das condições estabelecidas pelos órgãos reguladores.
O documento oficial da Anac é datado de 8 de setembro de 2026 e identifica a Xmobots Aeroespacial e Defesa Ltda., de São Carlos, como detentora da autorização do Nauru 100D. O modelo foi aprovado em setembro deste ano.
A autorização representa mais um avanço para a indústria de sistemas não tripulados instalada em São Carlos e amplia as possibilidades operacionais da aeronave.
Nauru 100D pode operar a até 30 quilômetros
Um dos principais pontos da autorização é a possibilidade de realizar operações BVLOS — Beyond Visual Line of Sight, expressão utilizada para voos nos quais a aeronave pode operar além da linha de visada direta do piloto remoto.
Segundo a ficha técnica emitida pela Anac, a distância máxima do enlace de comando e controle é de 30 quilômetros, enquanto a altitude operacional máxima indicada para a aeronave é de 1.873 metros, equivalente a 6.147 pés.
O documento permite voos diurnos ou noturnos em condições meteorológicas visuais (VMC) e em espaço aéreo segregado, mediante autorização de voo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Também estabelece as condições aplicáveis às áreas sobrevoadas.
Segundo material divulgado pela Xmobots, o alcance permite empregar o equipamento no monitoramento de grandes áreas, incluindo atividades rurais, Segurança Pública, Defesa e outras operações de vigilância.
Xmobots: Drone de São Carlos pesa 9 quilos e decola verticalmente
Apesar da capacidade operacional, o Nauru 100D é uma aeronave relativamente compacta.
A documentação da Anac informa que o sistema possui 9 quilos de peso máximo de decolagem, 2,13 metros de envergadura, 1,24 metro de comprimento e 33 centímetros de altura.
A aeronave utiliza propulsão elétrica e combina configuração de asa fixa com sistema de decolagem e pouso vertical (VTOL).
Segundo a Xmobots, o equipamento pode ser preparado para operação em até três minutos. O kit padrão possui três baterias, com autonomia de até duas horas cada. Utilizadas sequencialmente, elas permitem a realização de missões que totalizam até seis horas de voo.
A estrutura foi desenvolvida também pensando na mobilidade das equipes. O conjunto pode ser transportado em duas mochilas operacionais, que reúnem os equipamentos utilizados durante as missões.
Essas estruturas também podem funcionar como estação de comando e controle e estação para carregamento das baterias.
Nauru 100D possui câmeras térmicas e inteligência embarcada
Outro destaque está nos equipamentos que podem ser integrados à aeronave.
O Nauru 100D possui arquitetura modular, permitindo diferentes configurações de sensores e sistemas de missão. Uma das opções apresentadas pela fabricante é um sistema eletro-óptico que reúne sensores RGB e infravermelho termal, possibilitando utilização tanto durante o dia quanto à noite.
A plataforma também possui recursos de processamento e inteligência embarcada.
De acordo com a fabricante, essas tecnologias permitem aplicações como detecção e acompanhamento de pessoas e veículos, leitura de placas e apoio à localização em operações de busca e salvamento.
Os dados obtidos pela aeronave podem ser enviados às equipes em solo, auxiliando na avaliação do cenário e na tomada de decisões durante uma operação.
Tecnologia desenvolvida em São Carlos
A certificação também chama atenção para a presença de uma indústria de tecnologia aeroespacial de alta complexidade em São Carlos.
Fundada em 2007, a Xmobots informa possuir atualmente cerca de 500 profissionais, dos quais mais de 250 são engenheiros de diferentes especialidades.
Na unidade de São Carlos são desenvolvidas tecnologias relacionadas a aeronaves, aviônicos, software embarcado, sensores, navegação, sistemas de controle, inteligência artificial, comunicação e sistemas de missão.
A empresa atua atualmente nos segmentos de Agro, Geo, Ambiental, Defesa, Segurança, Logística e Mobilidade.
Com a autorização concedida pela Anac ao Nauru 100D, uma tecnologia concebida e desenvolvida em São Carlos amplia agora suas possibilidades de utilização em operações regulamentadas no país.
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