Editorial: Só o planejamento não deixará a Baixada do Mercado morrer por causa das enchentes

O céu depois da chuva visto do Parque Faber

Antes de mais nada é preciso dizer que a Baixada do Mercado especialmente onde os córregos do Gregório e do Simeão passam não deveria ter sido urbanizada, certo? O maior erro de São Carlos ao longo de sua formação foi ter prefeitos que não pensaram corretamente na ocupação e urbanização destes locais e ainda são cantados e verso e prosa por aí. Ocupar áreas ao lado de córregos é não ter visão de futuro e as enchentes por ali datam já desde os 40 e 50, ou seja, o perigo é antigo e as soluções nunca foram adotadas.

Quando chove muito forte o rio enche e transborda, nada vai parar a força da natureza, com isso ele sobe, invade lojas e dá prejuízo para os comerciantes, pessoas já morreram em enchentes na cidade de São Carlos. Foram realizados projetos, obras, por algumas administrações, mas tudo é insuficiente, especialmente por conta das mudanças climáticas que muitos debiloides insistem em dizer que não existem. Essas mudanças vão sempre proporcionar chuvas deste tipo: intensas e rápidas e com isso após 47 mm de precipitação vem a enchente no Centro. Mas o que se pode fazer?

É hora da cidade dos engenheiros fazer um pacto contra a enchente. É o momento das universidades entrarem em campo, pois é muito difícil, para não dizer impossível, retirar todo o comércio de onde ele está hoje, certo? Portanto, é o momento dessas pessoas se unirem e independente de quem for o prefeito, traçarem um plano com reserva financeira no orçamento municipal para que obras sejam executadas para que o flagelo das cheias seja amenizado cada vez mais.

Não adianta subir um prefeito à cadeira número 1 do Paço Municipal e dizer que tem um plano e depois  seu governo acaba e o plano é enfiado na lata de lixo, pois o seu sucessor tem sua ideia mirabolante para acabar com a enchente. O que vai resolver essa situação neste caso é o trabalho longo, planejado e feito, sobretudo, com transparência e seriedade. Um ponto importante que também precisa ser destacado é que os comerciantes precisam colaborar, se o plano previr que é preciso uma intervenção em determinado lugar, que ela seja feita e que os empresários não façam beiço, pois a reclamação de hoje pode ser a enchente de amanhã.

Quanto tempo mais as grandes lojas de rede vão ficar onde estão por conta dessas enchentes? Será que os políticos locais não pensaram que essas empresas podem ir embora da cidade e com isso gerar um desemprego gigante no comércio? É o momento de planejar, de pensar no futuro e garantir que a região de comércio mais importante no município não se transforme apenas num rico passado e no futuro numa cidade fantasma.

Ou planejamos ou morreremos abraçados com a falência da cidade.

Renato Chimirri

Foto: Luiz Gonçalves Neto