Educação em tempo de pandemia: muitas dúvidas e poucas explicações

Lea Veras, pós-doutora pela Carnegie Mellon University e pela USP/São Carlos

Cada forma de ensino, a presencial, a ‘online’ e a híbrida, exige uma abordagem diferente do conteúdo, ações e comportamentos diferentes do professor

Em tempos de tantas dúvidas, quando não temos certeza sobre muitas das circunstâncias que eram “tradições imutáveis”, é aconselhável recorrermos aos conhecimentos baseados na ciência, especializados em anos de estudos e pesquisa, para buscarmos as melhores decisões.

As escolas no Estado de São Paulo, atualmente, podem receber só 35% dos alunos, calculados em relação ao total de matrículas e não em relação ao espaço físico das unidades. Quem são os alunos que realmente devem ir para as aulas presenciais? Vão continuar assim?

Matemáticos e pesquisadores da USP disseram que não deveriam. Esse modelo pode elevar em até 270% o risco de contágio nas escolas, em 80 dias de funcionamento.

“Este momento de pandemia está sendo muito difícil e nós sabemos que exige cuidados, que nos mantenhamos em casa sempre que possível. Porém, uma das consequências é que em educação os problemas e as diferenças vão impactar nossa sociedade por um longo tempo. Alunos, famílias e profissionais estão a cada momento em uma situação diferente: hora atividades presenciais, hora ‘online’, hora híbrida.”, descreveu Lea Veras, pós-doutora pela Carnegie Mellon University e pela USP/São Carlos, que desenvolve ações educativas e de formação de professores em ambientes de ensino formais e não-formais.  

E agora? Quem vai para a aula presencial depois de meses de indefinições faz o quê? E quem continua ‘online’, como fica?

“Cada forma de ensino, a presencial, a ‘online’ e a híbrida, exige uma abordagem diferente do conteúdo das aulas, exigindo ações e comportamentos diferentes do professor. Além disso, as famílias vivem situações diversas e nem todas têm tempo ou condições de apoiar os estudantes, que nem sempre têm maturidade para aulas ‘online’.”, disse Lea.

Como devem agir os educadores? Os pais podem fazer o quê?

“Os adultos estão naturalmente inseguros e preocupados com o futuro. Com as crianças e adolescentes não é diferente. É preciso dar-lhes a oportunidade de conversar sobre isso, exercitar o diálogo e o entendimento das emoções, por exemplo, de ficar longe dos amigos. Olhar para dentro de nós e entendermos que estamos fazendo o melhor ao nosso alcance.  E, para os profissionais da educação, investir em Comunicação Não Violenta, entendendo como nos comunicamos em tempos tão tensos.”, completou Lea Veras.

Essas e outras questões têm levado a engenheira, pedagoga e especialista em ações educativas Lea Veras a realizar vídeos e lives nas redes sociais. No próximo dia 15, às 15h, Lea Veras vai realizar a Roda de Conversa “Ninguém solta a Mão de Ninguém na Educação”, com Tabata Amaral, Arimatéia Lopes e Natália Ghidelli.

Nessa roda, os participantes vão falar sobre como as políticas públicas no Brasil trabalham em prol de uma educação democrática e como as ações dos indivíduos dentro e fora da sala de aula podem contribuir.

José Arimatéia Dantas Lopes – Representou o Brasil, como Mentor, na International Chemistry Olympiad e na Olimpíada Ibero-americana de Química, em 32 países, é graduado em Farmácia e Bioquímica pela UFC, mestre e doutor em Química pela UNICAMP. É professor titular da UFPI. Foi Vice-Presidente da ANDIFES (2017/2018) e Presidente do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras – GCUB (2016/2018). Desde março de 2020, está na Presidência da Academia de Ciências do Piauí, com mandato até 2022.

Tabata Claudia Amaral de Pontes é uma cientista política, astrofísica, congressista e ativista pela educação brasileira. Filiada ao Partido Democrático Trabalhista, é deputada federal por São Paulo, tendo sido a sexta candidata mais votada no estado, com 264 450 votos, nas eleições de 2018. É cofundadora do Movimento Mapa Educação.

Natália Ghidelli é pedagoga, educadora em Disciplina Positiva e Consultora Educacional da Edutiê e Argumentaê. É autora de planos de aula para a plataforma da Associação Nova Escola. Trabalha por uma comunicação e relações mais respeitosas, inclusivas e enriquecedoras dentro e fora da sala de aula.

A roda de conversa “Ninguém solta a Mão de Ninguém na Educação” será realizada ao vivo pelo canal @edutie.prof no Instagram.

www.instagram.com/edutie.prof