Em meio a reabertura, Estado de SP bate recorde de mortes e novos casos de COVID-19

Médicos fazem treinamento no hospital de campanha para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera./Rovena Rosa

Na semana em que alguns municípios começam a reabrir a atividade econômica, o estado de São Paulo voltou a registrar hoje (2) aumento no número de casos e de mortes pela covid-19, batendo novo recorde. Também apresentou aumento na ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI).

Com o registro de 6.999 novos casos de ontem para hoje, a região paulista bateu recorde de novos casos, ultrapassando as 6.382 novas confirmações registradas na última quinta-feira (28). Com isso, chegou a 118.295 casos confirmados do novo coronavírus.

O estado bateu novo recorde de ontem para hoje, com 327 novos óbitos, em comparação ao dia 19 de maio, quando foram notificadas 324 mortes. Com isso, até o momento são 7.994 mortes por covid-19.

A taxa de ocupação de leitos de UTI também subiu, para 73,5%, no estado, e 85,5%, na Grande São Paulo. Ontem, a taxa de ocupação de leitos de UTI no estado era de 69,3% e de 83,2% na Grande São Paulo.

Em toda a região, estão internadas em UTIs 4.461 pessoas com suspeita ou confirmação da doença, além de 7.479 pessoas em enfermarias. O total de pessoas com alta hospitalar após terem sido infectadas pelo novo coronavírus é de 22.265.

Plano São Paulo

Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, o aumento no número de casos confirmados de covid-19 pode ser explicado pela maior capacidade de testagem.

Já para o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Carlos Carvalho, o aumento também pode ser atribuído ao atraso na contabilização dos casos. Segundo explicou, nos fins de semana, a quantidade notificada é sempre menor, uma vez que os dados ficam represados e só costumam aparecer na terça-feira, quando são contabilizados os que ocorreram nos dias represados.

Para a secretária, o aumento do número em um único dia não implica mudanças no Plano São Paulo, que prevê a flexibilização gradual e regional da economia. Segundo Patricia Ellen, para que uma região passe para a fase de maior flexibilização econômica, depende de avaliação feita nos últimos sete dias – e não apenas em um dia.

O Plano São Paulo leva em consideração a capacidade hospitalar para cada 100 mil habitantes, a ocupação de leitos de UTI da rede pública e privada, o número de novas internações e o de novos casos e de óbitos ocorridos nos últimos sete dias.

Isolamento

A taxa de isolamento social ontem (1) foi de 47% no estado e 49% na capital. Na segunda-feira passada, dia 25 de maio, quando o feriado de 9 de julho foi antecipado no estado, a taxa no estado foi de 51%.

O governo vem afirmando que observa uma desaceleração da epidemia em São Paulo. Segundo Carlos Carvalho, do Centro de Contingência, a capital já pode ter chegado ao platô de casos, uma situação de pico contínuo que demora a cair. De acordo com ele, na Grande São Paulo e no interior paulista ainda pode ocorrer um aumento dos casos.

“A impressão que dá é que na capital talvez esse platô já esteja ocorrendo. Na porção da Grande São Paulo e em algumas regiões do interior provavelmente esse número ainda pode vir a aumentar”, disse Carvalho.

Leitos

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, São Paulo tem ampliado o número de leitos de UTI destinados ao tratamento da covid-19 [doença provocada pelo novo coronavírus]. Antes da pandemia, o estado tinha 3.492 leitos de UTI. Desse total, 1.071 foram destinados para a covid-19.

Além disso, foram criados 3.622 novos leitos. A ideia é que, em junho, sejam acrescidos até 1.604 novos leitos em todo o estado. Com isso, a capacidade passaria para 6.297 leitos de UTI para a covid-19.

Segundo secretário-executivo do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, o estado tem hoje uma taxa de óbitos de 166 por milhão de habitantes, abaixo de países europeus como Itália e Espanha. A Espanha tem taxa de 600 óbitos por milhão de habitantes, enquanto a Itália tem 500 óbitos por milhão de habitantes.

“São Paulo é hoje o nono estado brasileiro em mortes por milhão de habitantes. A capital é a sétima capital em número de óbitos por milhão de habitantes. Isso se dá por duas razões importantes: as medidas de isolamento e distanciamento. Em segundo lugar, pela questão de leitos de UTI. Quando a epidemia começou, o estado de São Paulo tinha mais leitos de UTI do que países europeus antes da epidemia, como França, Itália e Espanha. São Paulo perdia para a Alemanha. E não foi coincidência que a taxa de óbitos por milhão de habitantes, que no Brasil está em 139 [por milhão de habitantes], em São Paulo esteja em 166 [óbitos por milhão de habitantes]. A Alemanha tem taxa de 100 óbitos por milhão de habitantes porque tinha uma capacidade de leitos muito maior”, afirmou o secretário-executivo.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil – São Paulo