Em São Carlos, três mulheres foram mortas em fevereiro; Seminário discute violência na cidade

Discussão ocorreu na Prefeitura

Para marcar o Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de São Carlos, por meio da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, realizou nesta sexta-feira, dia 8 de março, o Seminário “Mulheres de São Carlos”. Durante todo o dia, especialistas, profissionais da rede de assistência social do município, as vereadoras Laíde das Graças Simões e Cidinha do Oncológico e comunidade em geral, discutiram sobre o tema “Violência contra a Mulher”.

“O Seminário foi muito produtivo, pois foram trabalhados diferentes aspectos relacionados à temática da violência contra a mulher, tais como formas de denúncia, a importância do fortalecimento de rede de atendimento e do sistema de garantia de direitos, possibilidades de superação, o envelhecer e o ser feminino entre outros temas. Destacamos a formação de uma comissão a partir do seminário, para a ativação do Conselho Municipal da Mulher, em curto prazo” disse a secretária de Cidadania e Assistência Social, Glaziela Solfa Marques.

O assunto está em pauta e preocupa toda a sociedade. No mês passado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou, por meio de nota, preocupação pela prevalência alarmante de assassinatos de mulheres por motivo de estereótipo de gênero no Brasil. Segundo a instituição, pelo menos 126 mulheres foram mortas no país até o início de fevereiro.

Em São Carlos, 3 mulheres foram mortas em fevereiro. Os agressores estavam no vínculo familiar e em nenhum momento, as vítimas procuraram a rede de proteção. Duas no Jardim Medeiros pelo companheiro de uma delas e outra no Santa Angelina, onde o autor do crime depois se suicidou.

Para estimular a denúncia e apresentar a porta de entrada da assistência social no município para quem sofre com a violência, a Prefeitura de São Carlos está realizando a campanha: “O silêncio torna mais forte a agressão”, convocando a população para o combate à violência contra a mulher.

Hoje, o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) é a porta de entrada para a mulher vítima de violência: sexual, física, moral, psicológica e patrimonial. O Centro oferece informações, orientação jurídica, apoio à família, apoio no acesso à documentação pessoal e encaminhamento da mulher, quando necessário, a Casa Abrigo.

“Enxergar à violência contra a mulher não é tão simples e o CREAS vem para ajudar nessa identificação, no fortalecimento emocional e no empoderamento da mulher, para que ela consiga sair desse ambiente. O CREAS trabalha com a procura espontânea e também encaminhamentos da rede. Todo o trabalho é sigiloso, para garantir a segurança da mulher”, contou Drieli Villela, coordenadora do CREAS e assistente social.

 

CASA ABRIGO – “A pessoa que eu escolhi para a minha vida, que era para ser o homem da minha vida, roubou tudo isso de mim. Ele não me deixou viver, conforme meu sonho de criança. Eu queria ter uma casa, eu queria ter meus filhos, eu queria ter uma vida. Meu desenho de escola era uma casinha com meus filhos, esse sempre foi meu desenho. E um esposo que cuidasse de mim, que me protegesse, mas eu não tive isso, minha vida não teve isso”, chora a mulher de 41 anos, acolhida na Casa Abrigo.

Desde que foi inaugurada, em 8 de março de 2001, a Casa Abrigo recebeu 388 mulheres vítimas de violência. Os números variam ao longo dos anos, mas as histórias se repetem. No primeiro ano de funcionamento, foram 7 mulheres; em 2008, a Casa chegou ao número de 49 abrigadas. Em 2018, fechou com 30 casos, o dobro de 2017, quando passaram pela Casa 15 mulheres. Em 2019, já foram 7 acolhimentos. Hoje, a Casa tem 5 mulheres e 10 crianças.

“A Casa Abrigo trabalha para garantir a integridade física, emocional e reorganização da vida das mulheres vítimas de violência. É um refúgio para aquelas que precisam de proteção por estarem em risco iminente”, explica a coordenadora da Casa e assistente social, Maria Isabel Álamo Gabrine.

DENÚNCIA – 180 – O disque-denúncia é apenas um dos meios que vítimas e testemunhas têm para registrar uma denúncia de violência contra a mulher.

Outro importante canal é a DDM (Delegacia Defesa da Mulher), localizada na avenida Trabalhador São-carlense, 1020. O horário de funcionamento é das 9h às 18h de segunda à sexta-feira.

Numa emergência, a ajuda pode ser solicitada também pelo telefone 190. Nestes casos, uma viatura da polícia vai até o local averiguar a denúncia.

No CREAS, é possível fazer denúncia, orientação e acolhimento. O órgão fica na rua 13 de maio, 1732, no centro, e atende pelo telefone 3307-7799.