
Entre os anos de 1913 e 1915, os Estados Unidos testemunharam uma prática curiosa e impensável hoje: o envio de crianças pelos correios. Com a criação do serviço de encomendas do Correio Americano (Parcel Post), muitas famílias descobriram que poderiam economizar ao enviar seus filhos como “pacotes” em vez de comprar passagens para viagens. Essa prática, embora rara, chamou a atenção pela engenhosidade das famílias em tempos de necessidade.
No início do século XX, a economia rural americana ainda se baseava em práticas simples e frugais. Quando o sistema de encomendas foi implementado, famílias viram a oportunidade de transportar seus filhos por longas distâncias com um custo mínimo, pois, na época, o envio de pacotes postais era consideravelmente mais barato que uma passagem de trem. Enviar crianças, especialmente para visitar parentes ou fazer viagens de curta duração, tornou-se um meio conveniente e barato para famílias de baixa renda.
Casos famosos de envio de crianças pelo correio
A história mais famosa é a de May Pierstorff, de apenas cinco anos, que foi “enviada” por seus pais em 1914, no estado de Idaho. Os Pierstorffs pagaram 53 centavos para que a menina viajasse até a casa dos avós, a cerca de 115 km de distância. May foi transportada junto ao condutor do trem, vestindo uma etiqueta postal presa ao casaco. Por questões de segurança, ela não foi colocada literalmente no compartimento de cargas, mas a transação foi registrada como um envio postal.
Esse caso gerou polêmica e foi amplamente discutido. Em várias regiões, o envio de crianças virou notícia, e as autoridades começaram a regulamentar melhor o uso do sistema postal. Outras famílias seguiram o exemplo dos Pierstorffs, e, em poucos anos, a prática se popularizou, embora sempre fosse monitorada de perto pelos agentes dos correios.
O fim da prática e o impacto cultural
Após alguns casos, os Correios dos EUA resolveram limitar o serviço de encomendas para evitar o transporte de crianças. Em 1915, os regulamentos foram formalmente atualizados para proibir o envio de seres humanos como pacotes. No entanto, a prática ficou marcada na cultura americana como um exemplo das soluções criativas — e muitas vezes peculiares — que famílias encontravam para superar dificuldades econômicas.
Hoje, esses casos são lembrados como histórias curiosas do período e refletem um momento de inovação e improvisação que marcou o início da era moderna de transporte e comunicação.

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