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Ex-companheiros têm sido os grandes vilões nos crimes contra a mulher

O crime cometido contra Tânia Maria Pereira, morta com golpes de faca no pescoço, no dia 6, além de ter sido o primeiro crime de morte registrado em Panambi em 2018, foi o quarto crime de feminicídio (assassinato de mulher) ocorrido desde a entrada em vigor da lei que prevê este crime, em 2015. O lembrete é de Patricia Nogueira, coordenadora do Centro de Referência da Mulher (CRM).

Patricia lembrou também um fato marcante: todos os quatro feminicídios foram cometidos por ex-companheiros, homens que não aceitavam o fim de seu relacionamento, “por homens que não admitiam que a mulher pudesse ter sua vida sozinha, sem eles”, diz Patricia, para quem “este é um fator determinante que tem que ser debatido na sociedade”.

Em entrevista à Rádio Sorriso FM, nesta segunda-feira (6), Patricia salientou que a dificuldade de por em prática artigos previstos em lei, como é o caso das medidas protetivas, são fatores que aumentam o grau de risco para mulheres em situação semelhante à de Tânia. “A medida protetiva é um papel e um aviso ao agressor de que ele não deve se aproximar da mulher uns tantos metros”, explicou, acrescentando que as forças de segurança pública não têm condições de fazer cumprir estas medidas.

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Para a coordenadora do CRM, o machismo está na raiz de crimes como estes e outros crimes que são enquadrados na Lei Maria da Penha. Segundo ela, esta situação somente pode ser modificada com a educação de gerações inteiras, já nas escolas. “Acredito somente nas próximas gerações para mudar este pensamento”, disse Patricia, lembrando que o Brasil é o 5º país no mundo em número de assassinatos de mulheres.

Ela disse ainda estar indignada pela falta de resposta efetiva aos crimes, como a prisão dos acusados. Ela lembra que, dos quatro feminicídio registrados em Panambi, desde 2015, três dos acusados estão em liberdade. O quarto cometeu suicídio após o crime. “Precisamos uma resposta porque, senão, mais casos vão acontecer”, alertou Patricia.

O CRM de Panambi leva o nome de Vanessa da Silva Santos, morta pelo ex-marido em março de 2016.

Colaboração: Jornalista Hugo Schmidt

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