Fale somente o indispensável!

A mudez da alma é algo necessário para sobreviver na sociedade moderna. Ao subir nos ônibus é possível observar, em algum lugar, uma frase emoldurada: “Fale ao motorista somente o indispensável”. Nesta frase se encontra uma máxima em defesa da mudez alheia. Até onde devemos ser mudos? Esconder dos outros o que temos para falar?

Muitas vezes, não falamos apenas o indispensável, mas deixamos de falar completamente, esquecendo que nossa opinião é importante, é válida. Mas parece que o sistema social, como um todo, nos cria para sermos eternamente mudos. Mudos de corpo e alma. Ao ver algo que poderíamos fazer para melhorar as coisas no dia-dia, muitas vezes, nos omitimos, justificando que não temos tempo. Quando alguém necessita de um momento de amor, justificamos que estamos estressados e as desculpas crescem incomensuravelmente.

Assim, vai crescendo a nossa mudez, a introspecção se exacerba e criamos uma casca cada vez mais grossa em torno de nosso âmago, como uma cebola. Que ao contrário da cebola tradicional, não faz quem descasca cair em prantos, mas quem é descascado.

Várias desculpas se seguem, como uma sopa de culpas desquitadas. O medo, a preocupação, o receio e outras mil coisas induzem as desculpas, utilizando as como uma redoma de proteção. A mudez se perpetua.

Quando vamos falar mais do que o indispensável? Quando vamos passar a falar o essencial, ás vezes, até mesmo o dispensável, para completar a nossa existência e saímos de uma intrínseca solidão? Ou apenas vamos deixar que uma placa ou uma sociedade nos enlate em um protocolo social?

Por isso, quando for falar, não se preocupe se é dispensável ou indispensável, apenas fale aquilo que vem do interior, de onde nenhuma sociedade pode emudecer: do coração.

 

Sara Oliveira de Carvalho Loss

São Carlos – SP, 07 de janeiro de 2020