Falecido em Itirapina, Barbeiro Miro recebe justa homenagem

Homenagem ao grande Miro!

O falecimento do estimado Miro, barbeiro lendário de Itirapina, comoveu toda a região e o jornalista Ricardo Gama prestou uma grande homenagem para esse profissional exemplar. Acompanhe:

SEGUE EM PAZ GRANDE SER HUMANO!

Com este texto escrito originalmente em 2006 (a seguir) e reescrito e publicado em diversas ocasiões, me despeço temporariamente deste grande ser humano que tive o privilégio de conviver. Tentei, mas confesso e peço a compreensão de todos os familiares e amigos dele que não tive coragem de ir ao velório.Guardarei para sempre na lembrança todo exemplo de alegria, trabalho e dignidade. Segue em paz. Missão cumprida!

Miro Barbeiro, o mais antigo em atividade, nem pensa em parar

Ricardo Gama

Aos 73 anos de idade, e aparentando bem menos, ele esbanja saúde e disposição para trabalhar. “Nem penso em parar, meus filhos até ficam bravos comigo porque acham que eu deveria trabalhar menos, mas vou até quando Deus quiser”, afirma Argemiro Geraldo Silvestre, mais conhecido como Miro Barbeiro, há 59 anos no ramo de prestação de serviços, o barbeiro mais antigo do município em atividade. “Sou apaixonado pela minha profissão”, revelou. E não é para menos. Foi ela quem lhe deu a oportunidade de ganhar a vida com conforto e dignidade, de fazer bons amigos e, com a esposa, a professora Sônia, proporcionar aos quatro filhos, um diploma de curso superior. Rosana, Raquel, Fábio e Junior. Ele conta que começou a aprender a cortar barba e cabelo no salão do Sr. Armando Travensollo. “Ficava rodeando a cadeira para ver como ele fazia”, relembra. Depois foi fazer o curso, acabou comprando o salão do primeiro professor. Sr. Miro não faz segredo de como acabou cativando a clientela, muitos dos quais são clientes, ou “fregueses”, como prefere, há mais de 40 anos. “Sempre fiz questão de manter o salão limpo e com boa aparência”, comentou. “Isso fez com que, naturalmente, a freguesia fosse ficando selecionada”, emendou. “Além do que, a qualidade do profissional é fundamental.”

O fato é que, aliado a esses itens, ele foi humilde ao deixar de acrescentar a boa educação e a maneira amistosa com que trata a todos. “O salão está sempre cheio, cortem ou não o cabelo ou a barba”, enfatizou, agradecido pelas boas companhias que o mundo lhe deu, desde que chegou em Itirapina, aos 7 anos de idade, acompanhado de toda a família. “Tenho amigos que vêm tomar um cafezinho; outros como o Luizinho Serafim e o Valdecir Ladeira só não estão aqui quando vão caminhar”, disse. Ao longo dos anos, Miro Barbeiro foi se tornado personagem do cotidiano local. Atualmente, ficou impossível escrever ou até mesmo falar da Avenida um, Centro, sem tê-lo como referencial. “Morar na Avenida um é um privilégio”, destacou, para, logo em seguida, começar a remexer o baú da memória. “Sou do tempo em que a Avenida Um ficava lotada de gente até as 9 da noite, ao redor do Bar do Nardi, depois ia todo mundo para a Estação ver quem chegava nos trens”, relembra. “Nem sei mais o que é morar em outro lugar”, frisou Sr. Miro.

Talco ou loção? Tanto faz. Avenida um, do Bar do Nardi e do Sr. Antônio (irmão de Sr. Miro), do Tênis Clube. E aí vem ele de novo com mais uma participação na história da Avenida. “Éramos jovens e não havia salão de baile na cidade, então resolvemos juntar uma turma, compramos uma antiga máquina de arroz no final da Avenida Um e fizemos dela um clube; fui membro da primeira diretoria”, relatou. No início, segundo Sr. Miro, o piso era de barro puro e só depois, com a venda de títulos, é que foi colocado piso de madeira. “Era uma emoção só, maior do que o primeiro baile”, conta. “O pessoal vibrava com o brilho do piso da pista de dança.” Situações engraçadas também fizeram parte dos primórdios do TC e da vida de Sr. Miro. “Teve um carnaval que, em pleno baile, acabou a energia, tivemos que ir até o Posto Castelo e arrumamos bateria com lâmpadas pequenas para iluminar um pouco o salão e continuar a festa”, descreveu. “Imagina como aquilo ficou?”, indagou, rindo ao recordar do ocorrido, agora com um pente e uma tesoura na mão. “Cabelo, barba ou os dois?”, pergunta ele, bem à vontade, ao velho freguês que acabara de chegar.