Há dores que não cabem nas palavras, um luto vivido diariamente. E talvez a maior de todas seja aquela que nenhum pai, nenhuma mãe, nenhum coração humano deveria conhecer: a dor de perder um filho.
Ontem, dia 7, São Carlos se entristeceu. Não porque as ruas estivessem vazias, mas porque uma notícia atravessou a cidade como um sopro gelado, desses que fazem a gente parar por um instante e respirar diferente. Um menino de apenas um ano teve a vida interrompida em um acidente em uma piscina. Uma pequena vida, muito amada, que se foi repentinamente.
Não existe preparo para isso. Não há manual, conselho ou fé que explique por que um pai precisa sepultar um filho. A ordem natural da vida parece se romper de forma cruel quando é a criança que parte primeiro. Fica o quarto intacto, os brinquedos no lugar, as roupas ainda com cheiro de infância — e um vazio que nada mais consegue ocupar.
A dor dos pais não é só tristeza. É um tipo de ausência permanente. É acordar esperando ouvir um choro que não vem. É o silêncio mais barulhento que existe. É carregar para sempre as perguntas que não terão respostas neste plano.
Diante de uma perda assim, a cidade inteira deveria abaixar a cabeça. Não por curiosidade, não por comentários apressados, mas por respeito. Porque hoje não é sobre estatísticas, nem sobre manchetes. É sobre humanidade. É sobre reconhecer que, por trás da notícia, há uma família despedaçada, vivendo a pior dor do mundo.
Que São Carlos abrace esses pais com silêncio, empatia e compaixão. Às vezes, não há nada a dizer. E tudo bem. O luto não pede explicações — pede apenas respeito.
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