Famílias e sociedade têm responsabilidades perante a pessoa em situação de vulnerabilidade

A responsabilidade maior pelos cuidados com pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente crianças e idosos cabe, em primeiro lugar, às famílias, e este dever é previsto na Constituição Federal. A lembrança é de Giovana Zimmermann Ody, presidente da Associação de Voluntários Casa de Passagem, a Avocap, durante o programa Questão de Opinião, da Rádio Sorriso FM, no sábado, 20, pela manhã.

Complementando sua afirmação, Giovana disse que “as famílias têm o dever, não é se quiser, têm o dever de cuidar desses grupos, tanto das crianças quanto dos idosos, não posse pensar, ‘não quero mais vou levar para a Avocap; não quero mais vou mandar para lar tal’ e, se as famílias e a sociedade não fazem a sua parte, é óbvio que sobrecarrega o poder público”.

As palavras de Giovana foram endossadas pelas outras entrevistadas do programa, a professora Léce Appel, diretora da Associação Pró Menor, Taciana Klever, secretária do Comdicap, e Margit Wegener Malheiros, vice-presidente do Conselho Municipal do Idoso e representante do Centro de Referência Especializado em Assistência Social, o CREAS.

Taciana falou do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Comdicap), entidade da qual é secretária. O Conselho é paritário, ou seja, é composto por 6 representantes do poder público e 6 representantes da sociedade civil. O Conselho é, essencialmente, uma instituição de caráter fiscalizador , deliberativo e consultivo, com importante papel na definição de políticas públicas para a criança e do adolescente, além de gerir o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, que dirige recursos a entidades que atuam com o público alvo, mediante projetos apresentados pelas entidades e aprovados pelo Comdicap.

Abandono e violência contra idosos

Margit explicou que as mudanças nas famílias, nas últimas décadas, fizeram que com os “avós”, ou idosos, foram relegados a suas casas e ao viver solitário. Ela revelou que existe uma estrutura de proteção social básica do Município, formado pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, com dois grupos montados e em fase de ampliação. Qualidade de vida é um dos temas constantemente abordados nos grupos. “Tem gente que chegou aos 60 anos de idade e estão completamente debilitados, enquanto que outros, com 80 ou 90 anos, estão com uma saúde maravilhosa”, diz, acrescentando que os grupos de idosos estão atuantes, hoje, no bairro Italiana (pioneiro neste tipo de trabalho) e loteamento Alvis Kläsener I. “Investir na parte da assistência social, poderá diminuir os ate4ndimentos e custos em saúde, posteriormente”, afirmou Margit.

A vice-presidente do Conselho do Idoso revelou ainda, que de acordo com dados do CREAS, em 2017, até o mês de novembro, foram atendidos 7 casos de negligência, 6 de violências psicológicas, 4 de abandono, 4 de violências físicas, 4 de violência patrimonial, 2 casos de maus tratos e 1 de abuso sexual.

Vulnerabilidade não depende da situação financeira

Para a professora Léce, muitos casos de vulnerabilidade social, ou marginalização social, têm como causa primeira a desestruturação das famílias, “temos muitas crianças cujo pai está preso, e a mãe tem que sair e cuidar de tudo na família, e ela não vence, aí entram os programas que o Município oferece para amenizar um pouco esta situação”. Léce falou, também, sobre o processo de mudança que vem passando a Associação Pró Menor que, em breve deverá ser abrangida pela Prefeitura, passando a ser uma instituição municipal, e não mais uma organização não governamental – ONG.

A vulnerabilidade não é algo que acontece somente em ambientes de pobreza ou de miséria. Taciana: “temos muitas crianças sofrimento violência e negligencia em famílias que têm boa condição, não se pode somente pensar em crianças pobres e miseráveis”, esclareceu. Giovana fez questão de deixar claro eu a vulnerabilidade social e a vulnerabilidade econômica são situações bastante diferentes.

O programa Questão de Opinião vai ao ar todos os sábados, das 08h às 10h, tendo à frente o radialista Eloir Pereira.

Colaboração: Jornalista Hugo Schmidt

Legenda: A partir da esquerda, Margit, Léce, Giovana e Taciana, em foto de Hugo Schmidt.