A questão das festas que atraem grandes públicos em São Carlos

A questão das festas que atraem grandes públicos em São Carlos
A questão das festas que atraem grandes públicos em São Carlos

Festas que reúnem grandes públicos, como o Rodeio, a TUSCA, a Festa do Clima e outros eventos da área universitária sediados em São Carlos, inegavelmente trazem dinheiro à cidade, movimentando a economia nas redes hoteleira, gastronômica e até em outras áreas do comércio. Esses eventos injetam milhões de reais em uma economia que precisa, cada vez mais, ser criativa para continuar gerando emprego e renda. Ademais, a questão do emprego é outro ponto que merece ser considerado.

Sobre o Rodeio, por exemplo, há quem apoie incondicionalmente esse tipo de festival, assim como há pessoas amplamente contrárias, especialmente pela questão animal. Apesar de os organizadores afirmarem que não há maus-tratos, os opositores insistem que o rodeio é incompatível com a defesa da causa animal.

O mesmo ocorre com festas como a TUSCA, as Economíadas e outras. Muitos afirmam que há barulho, baderna e outros problemas. Porém, é preciso frisar que, nos últimos anos, a organização desses eventos passou por grande profissionalização, e os encontros se tornaram muito rentáveis para a cidade, que acabou se transformando em uma espécie de capital desse tipo de atividade. A TUSCA é a maior festa da América Latina nesse segmento e gera muito dinheiro para São Carlos e região.

Entretanto, a discussão que precisa ser feita diz respeito aos locais onde as festas ocorrem. Talvez esse seja o ponto nevrálgico. O Rodeio, por exemplo, acontece na área da antiga Indústria Cardinalli, que está, de fato, ao lado de condomínios residenciais na Heitor José Reali, além de bairros como Vila Isabel, CDHU, Vila Irene, Castelo Branco, Azulville, Dona Francisca e Ricetti. Não há como disfarçar: o barulho chega — e chega forte, como ficou evidente na noite passada. Com a TUSCA, ocorre o mesmo; o som atinge os bairros, mesmo que o evento seja realizado em um local um pouco mais afastado.

Já escrevi aqui que defendo uma solução do Poder Público para essa situação. Temos, na cidade, escolas de engenharia e arquitetura de nível mundial e, com a ajuda desses profissionais, poderíamos construir, em uma área adequada e de forma sustentável, um Parque de Exposições onde essas festas poderiam ocorrer. O município, como proprietário, alugaria o espaço aos organizadores.

Com a ajuda de especialistas, seria possível mapear uma área onde as festas causassem o menor impacto sonoro possível para os moradores do perímetro urbano. Seria tão difícil fazer isso? Ou falta vontade àqueles que têm o poder de colocar essa ideia em prática, sejam eles da esfera pública ou privada?

Não podemos abrir mão do dinheiro que as festas trazem — o município carece de grandes eventos —, mas também é preciso reconhecer que aqueles que não desejam frequentar esses locais têm o sagrado direito de dormir em paz. Não podemos descobrir o pé para cobrir a cabeça, e vice-versa.

Faz-se necessário que aqueles que têm o poder de decidir sejam corajosos e deem início a um projeto audacioso que coloque São Carlos na vanguarda desse tipo de festa. Solução existe; basta querer encontrar.

Renato Chimirri

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