Força, Airton!

Airton está no hospital

Eu conheci o Airton Garcia nos anos 90. Ele era vice-prefeito do Dagnone de Melo e como eu era bem jovem e gostava de política sempre ouvia suas entrevistas desafiadoras no rádio. Airton gostava de uma polêmica e sempre falava com tom irônico quando conversava com radialistas como o saudoso Gerson Edson Toledo Piza, o Juquita.

Depois comecei a atuar na imprensa e acabei sendo “alvo” das ironias do Airton (o episódio foi engraçado demais!). Um dia estava participando do programa da minha também saudosa e querida amiga Baby Soares. Como ela não tinha papas na língua teceu uma dura crítica ao então empresário Airton Garcia.

O hoje prefeito foi até a Rádio Clube que ainda ficava no Cruzeiro do Sul para dar sua versão, ele queria confrontar nas palavras o que Baby Soares dizia e eu, um jovem, estava no meio de tudo. Vi os dois conversando no ar, foi um papo duro, mas de maneira serena. Airton discordou de Baby que, por sua vez, discordou de Airton e as críticas dela para com o empresário que queria ser prefeito da cidade ou deputado continuaram.

Depois com a eleição de Newton Lima, Airton se tornou oposição. Uma vez, estava no Primeira Página, e entrevistei o então candidato a algum cargo (não me lembro qual) e ele resumiu a situação com duas frases. A primeira e que eu concordo muito falava sobre os partidos políticos no país: “Partido é igual bula de remédio, tem um monte de letrinha, ninguém entende e tem horas que não serve para nada!” A segunda frase foi uma premonição de algo que ele usaria para a sua campanha: “Com Airtão, vamos desmamar a bezerrada!” Essa frase chegou até a década de 20 do século 21.

Lembro de Airton provocador. Ele colocava outdoors na cidade com frases que alfinetavam seus opositores e desafetos. Na política, Airton sempre foi um provocador, ele gostava de um cenário mais apimentado.

Um dia desses, ainda quando o Café Dona Júlia “era vivo”, eu estava no local tomando um lanche. Airton chegou e me viu e logo veio conversar. Disse-me que não deveria ter ido aquele dia no programa da Bay discutir com a apresentadora e, de certa forma, até me pediu desculpas. Foi a primeira vez que vi o atual prefeito mudar, ele parecia estar se tornando um político mais ponderado. O provocador Airton dava lugar para o sensato e já idoso político.

Airton como prefeito não teve meu voto, mas acho que ele foi bem em diversas partes de sua gestão, sobretudo nas finanças. Justamente porque pegou a Prefeitura em situação lastimável devido ao governo anterior de triste recordação para os são-carlenses. Quando o homem do boné ganhou eu achei que a situação pioraria ou ficaria igual ao PSDB no poder, entretanto confesso que fiquei surpreso. Apesar dos percalços, o prefeito conseguiu feitos e não semeou tantas brigas como fazia antigamente, ou seja, ele entendeu que precisava cumprir leis, bem como respeitar adversários e usar mais o diálogo, ao invés do confronto.

Foram esses pilares que lhe renderam a reeleição em um pleito praticamente sem adversários de peso, Airton foi “plebiscitado” e conseguiu mais um mandato. Agora, seu atual governo parece um pouco mais fragilizado que o anterior, mas ainda há tempo de corrigir algumas rotas e olhar para determinadas pessoas que estão poder. Airton sabe que governar é uma arte complicada.

Entretanto, chegamos no ponto central: hoje o prefeito está hospitalizado, porque sofre com problemas renais crônicos. Nem é preciso dizer que qualquer pessoa deve torcer pelo seu pronto restabelecimento, afinal de contas, não é o prefeito, mas o ser humano que está no hospital e só isso é motivo para pedirmos e enviarmos as melhores energias e orações ao cidadão Airton Garcia Ferreira.

Quando a pessoa está em um leito de hospital, certamente não se encontra em uma situação agradável, ainda mais sendo prefeito de uma cidade que tem muitas virtudes, mas também enormes problemas como São Carlos.

Neste momento, Airton precisa de sua equipe unida e não de furos no “barco” que toca o governo municipal, até porque se o povo que o ajuda a governar mostrasse a união necessária o processo de recuperação do prefeito seria mais rápido.

Por isso, o único pedido que fazemos para quem hoje está na Prefeitura tomando decisões do dia a dia, mas que afetam o cotidiano de milhares de pessoas é que deixem as vaidades pessoais de lado e passem a pensar no que o prefeito gostaria que vocês fizessem.

Eu posso não concordar com tudo que o governo Airton Garcia faz, mas sei bem respeitar o resultado das urnas e criticar aquilo que entendo como desnecessário, mas neste momento gostaria de verdade que o prefeito se recuperasse e voltasse às suas atividades o mais rápido possível.

A democracia pede que seu rito seja seguido de maneira natural.

Renato Chimirri