Frio deve persistir em SP no final de outubro

A foto acima é do entardecer na cidade de São Paulo, do dia 22 de outubro de 2021, uma sexta-feira, de autoria de um dos meteorologistas da Climatempo. Ao mostrar para alguns colegas, todos ficaram maravilhados com a beleza do visual e em seguida fizeram comentários semelhantes: “Outono em outubro! Cara de inverno! Atmosfera fria! Cor de inverno!”

Fazendo as contas com as temperaturas registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, na estação meteorológica do Mirante de Santana, na zona norte da cidade de São Paulo, a média das temperaturas máximas observadas de 1 a 24 de outubro de 2021 foi de 23,9°C, 2,0°C abaixo da média Climatológica para outubro que é de 25,9°C.

A Climatempo explica agora as razões do frio e da chuvarada de outubro de 2021 em São Paulo e no Rio De Janeiro? Confira!

Frio e tempo severo

A segunda quinzena de outubro começou com muita chuva e queda na temperatura no centro-sul do país, o que fez muita gente tirar novamente os casacos e cobertores do armário.

Nas capitais paulista e fluminense, os termômetros marcaram temperaturas abaixo do normal para o mês. Os estados da Região Sul também sentiram dias com frio atípico e houve até registro de geada em áreas mais elevadas da serra catarinense. O ar frio aliviou o calor em Mato Grosso do Sul e fez o Sul de Minas Gerais se sentir no inverno novamente.

Eventos de tempo severo, com chuvarada de água e de granizo, ventania com rajadas de mais de 100 km/h e tempestades de poeira foram destaques desde o início de outubro. A chuva se espalhou pelo país e várias capitais brasileiras vão terminar outubro de 2021 com volumes acumulados de chuva acima da média para este mês.

Temperatura do Atlântico Sul favorável

Basicamente, a baixa temperatura nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro pode ser explicada pelo excesso de dias com muita nebulosidade e chuva e a presença de ar frio de origem polar.

O ar frio e parte da chuva foram provocados pela passagem de frentes frias sobre a Região Sudeste, mas as condições da temperatura superficial da água do mar no Atlântico Sul facilitaram o deslocamento das frentes frias.

A água do mar mais quente do que o normal, na região oceânica próxima da costa da Argentina e da Região Sul, favoreceu o avanço mais lento das frentes frias pela costa do Sul e do Sudeste do Brasil. Isto estimulou a formação de mais áreas de instabilidade sobre o centro-sul do país.

La Niña

O fenômeno oceânico-atmosférico La Niña se estabeleceu de vez na porção central-leste do oceano Pacífico Equatorial. O La Niña é o período em que a temperatura da água nesta região do Pacífico fica abaixo do normal, tanto na superfície quanto em profundidade.

As observações mostram que o fenômeno La Niña contribui para que a temperatura fique amena nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Sem Bloqueio

No começo da primavera de 2020, uma situação de bloqueio atmosférico dificultou a passagem das frentes frias e das massas de ar frio de origem polar pelo centro-sul do Brasil. Houve também uma parada no deslocamento das áreas de instabilidade associadas com a oscilação Madden-Julian. Este foi um dos principais motivos para instalação da super onda de calor que o Brasil viveu em parte de setembro e de outubro de 2020.

Em outubro de 2021, sem bloqueio na circulação de ventos na média e na alta atmosfera, e com a temperatura da água do Atlântico Sul favorável, as frentes frias avançaram mais facilmente pela costa do Sul e Sudeste. A frente fria da semana de 18 a 22 de outubro de 2021 chegou ao sul da Bahia e ajudou a formar áreas de chuva sobre o Nordeste e sobre o Tocantins.

Alta da Bolívia

Uma situação pouco comum também foi observada em alguns dias de outubro de 2021: a formação da Alta Bolívia. Este sistema meteorológico ocorre em torno de 10 km acima da superfície e é a resposta da alta atmosfera a um grande aquecimento em superfície. É um sistema meteorológico típico de verão.

O calor acima do normal de setembro de 2021 estimulou a formação da Alta da Bolívia em outubro, que contribuiu para a organização de áreas de instabilidade pelo interior do Brasil. A passagem das frentes frias combinada com a Alta da Bolívia organizou um grande corredor de umidade sobre o Brasil. Em alguns dias, as imagens da nebulosidade captadas pelos satélites meteorológicos mostraram uma situação muito semelhante a de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), embora outras condições técnicas não permitissem a caracterização efetiva deste sistema.

Novembro ainda pode ter frio atípico?

Outubro vai terminar com tempo instável na maioria das áreas do Brasil.

A frente fria que virou o tempo em São Paulo no domingo, 24 de outubro, vai fazer com que a última semana de outubro seja úmida e fria em São Paulo. Volta a esfriar também no Rio de Janeiro.

Grandes áreas de instabilidade se formam sobre o país provocando chuva generalizada. Poucas áreas do Nordeste, do Tocantins, de Minas Gerais e do Sul do Brasil ficarão sem chuva na última semana de outubro de 2021.

Novembro ainda pode ter frio atípico? A resposta é sim. Para o próximo mês, não se pode descartar a ocorrência de mais episódios de frio atípico no centro-sul do Brasil, com temperaturas dentro a abaixo da média em algumas partes da Região Sudeste. O fenômeno La Niña persiste no Pacífico Equatorial e vai continuar auxiliando no aumento de nebulosidade e temperaturas mais próximas da normalidade.

Tardes de outubro estão 2°C abaixo do média em São Paulo

No fim da tarde do dia 22 de outubro, São Paulo ainda sentia a presença do ar frio de origem polar, mas estava se livrando das nuvens que esconderam o sol por toda a semana. Viva o sol! Ele brilhou num sábado quente, que teve calor de quase 32°C, mas que anunciava a chegada de mais uma frente fria que trouxe a chuva e o vento frio de volta para domingo. A temperatura despencou de novo!

Pelos registros do Instituto Nacional de Meteorologia, em 24 dias apenas 9 tiveram temperatura máxima igual ou superior à média de referência para temperatura máxima que é de 25,9°C. A média das temperaturas máximas observadas de 1 a 24 de outubro de 2021 foi de 23,9°C, 2,0°C abaixo da média climatológica para este mês.

Curiosidade

Outubro de 2021 está sendo com temperatura muito abaixo do observado na mesma época do ano passado. A média das temperaturas máximas de 1 a 24 de outubro de 2020 foi de 28,5°C, 4,6°C acima da média das máximas no mesmo período de outubro de 2021

No Rio de Janeiro, o dia 20 de outubro de 2021 foi um dos mais frios do ano até agora, com temperatura máxima de apenas 19,6°C, na região da estação meteorológica da Vila Militar, na zona oeste carioca. É uma temperatura muito baixa para os padrões normais da cidade do Rio de Janeiro em outubro.

A média das máximas de 1 a 24 de outubro de 2021 foi de 27,6°C, sendo que a média climatológica de temperatura máxima para este mês é de 28,2°C. Em 24 dias, o termômetro na Vila Militar marcou mais do que 30°C em apenas 8 dias.

Sobre a Climatempo

Com solidez de 33 anos de mercado e fornecendo assessoria meteorológica de qualidade para segmentos estratégicos, a Climatempo é sinônimo de inovação. Foi a primeira empresa privada a oferecer análises customizadas para diversos setores do mercado, boletins informativos para meios de comunicação, canal 24 horas nas principais operadoras de TV por assinatura e posicionamento digital consolidado com website e aplicativos, que juntos somam 20 milhões de usuários mensais.

Em 2015, investiu na instalação do LABS Climatempo, no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), que atua na pesquisa e desenvolvimento de soluções para tempo severo, energias renováveis (eólica e solar), hidrologia, comercialização e geração de energia, navegação interior, oceanografia e cidades inteligentes. Em 2019, a Climatempo passou a fazer parte do grupo norueguês StormGeo, líder global em inteligência meteorológica e soluções para suporte à decisão, e dois anos depois, em 2021, uniu-se à Somar Meteorologia, formando a maior companhia do setor na América do Sul. A fusão das duas empresas impulsiona a Climatempo a ser protagonista global de fornecimento de dados e soluções para os setores produtivos do Brasil e demais países da América Latina, com capacidade de oferecer informações precisas de forma mais ágil e robusta.

O Grupo Climatempo segue presidido pelo meteorologista Carlos Magno que, com mais de 35 anos de carreira, foi um dos primeiros comunicadores da profissão no país.