Há 5 anos, São Carlos perdia o repórter Ruy Cereda

Ruy era uma pessoa muito conhecida em São Carlos

Por Cirilo Braga

Há cinco anos nos despedíamos do repórter Ruy Cereda, grande amigo que, ao partir em 10 de março de 2016, deixou viva a lembrança de suas histórias e a marca registrada do bordão com que encerrava seus comentários políticos: “Quem viver, verá!”. E não é que o Ruy, que dá nome a uma rua no Residencial Miguel Abdelnur, sabia mesmo das coisas?

Nascido em Analândia, era Cidadão Honorário de São Carlos e foi homenageado com o Diploma de Gratidão da Cidade. Justos tributos a um camarada singular. O radialista e bancário soube inserir a marca de sua personalidade nessas duas carreiras tão distintas. Ao aposentar-se no Banco Noroeste em 1984, realizou-se de verdade no rádio. Comentarista esportivo, colecionou histórias, como a do dia em que viajava com a delegação do time de futebol local, cujo ônibus despencou num riacho quando o motorista não viu que uma ponte havia desabado. Por sorte não ocorreu uma tragédia, apenas alguns passageiros sofreram escoriações, incluindo o próprio Ruy, que – socorrido pelo roupeiro – voltou para casa de madrugada, trajando uniforme completo do time.

Ao lado dos westerns, apreciava filmes de guerra e alguns dos quais parece ter sido ele próprio o roteirista, como “O Incrível Exército de Brancaleone”, paródia de D.Quixote. Gostava de serestas e músicas orquestradas, daquelas que faziam a trilha de filmes épicos. A canção “Tempos de Criança”, de Ataulfo Alves, sempre o emocionava. Talvez lhe passasse o filme dos domingos na missa da matriz de sua cidade natal. E, claro, batia-lhe a saudade da professorinha que lhe ensinou o beabá.

A etapa seguinte de seu trabalho como radialista foi épica: ele se tornou um repórter político, passando a cobrir as atividades da Câmara Municipal. Por mais de duas décadas conseguiu realizar um trabalho imparcial e isento, conquistando o respeito e a amizade de políticos de diferentes campos ideológicos e partidários. A alguns dava conselhos valiosos, brotados de sua sabedoria e experiência de vida. Ensinava que muitos fatos não eram como pareciam ser num primeiro momento. Daí, o “quem viver verá”. Insígnia de um aprendiz permanente das lições da vida e do tempo.