Hoje não tem Dadinho, só saudade da Tia da Bala

Dona Eva, a Tia da Bala.

O vice-prefeito Edson Ferraz compartilhou uma triste notícia nesta noite de quarta, 19. Ele postou o falecimento da Dona Eva. Pois é, falando assim, talvez você não saiba de quem se trata, mas se falarmos da Tia Bala, certamente você se lembrará sobre qual senhora estamos falando.

A Tia da Bala era um símbolo de São Carlos, uma senhora educada, sempre com uma bolsinha. Ela chegava nos bares da noite são-carlense e vinha com aquele sorriso habitual: “Boa noite! Vocês podem comprar um pacotinho de bala?”

Normalmente, as pessoas sempre perguntavam qual sabor estava disponível, daí a Tia da Bala mostrava pacientemente o portfólio, mas sempre vinha aquela pergunta: “Tia, tem Dadinho?”

O Dadinho sempre foi a bala mais procurada da Tia e quando não tinha, ela ficava chateada, mas dizia que outros sabores também poderiam ser degustados. Normalmente, as pessoas sempre compravam as balinhas, todos riam, abraçavam, beijavam e até pediam conselhos de uma senhorinha que já tinha vivido uma parte nesta terra e sabia sempre o que dizer.

A Tia da Bala era querida, respeitada pelas pessoas, daquelas figuras que você aprende a ter carinho, a respeitar, pois além de nos alegrar, ela estava buscando ganhar um dinheiro honesto na noite são-carlense.

Vi a Tia da Bala no Paschoal, no Vitória, na Cachaçaria e em muitos outros bares de São Carlos e sempre me perguntava: como será que ela vai embora? As vezes estava um frio danado, mas Dona Eva sempre comparecia, a gente já esperava que ela surgiria para oferecer umas balinhas que adoçariam a nossa noite. Virou uma tradição.

Sua morte é mais um fato tão triste nestes tempos de perda, confesso que não sei a causa, mas a publicação do vice-prefeito Edson Ferraz fez com que eu pudesse escrever essas palavras para marcar a vida da Dona Eva.

Com todas as pessoas com quem tratou enquanto esteve conosco, a Dona Eva sempre foi tão gentil, tão prestativa que não há possibilidade de não existir um lamento sincero em saber de sua partida.

São Carlos está mais pobre sem um dos símbolos de sua noite. A Tia da Bala é uma pessoa que deixou sua marca.

Todo mundo que gosta de um barzinho tem uma história para contar de uma passagem com a Dona Eva.

Proponho aqui uma ideia: quando tudo isso passar, quando todos estivermos vacinados e os bares voltarem a funcionar normalmente que o nosso primeiro brinde seja em memória da Dona Eva. Ela deixará saudades!

Renato Chimirri