House of Cards São Carlos: Cardinali sai do governo e Airton tem mais uma crise para contornar

House of Cards: política pega fogo

A saída de Giuliano Cardinali da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano expõe mais uma parte do governo Airton Garcia que está fraturada, ou seja, grupos políticos podem estar se digladiando dentro da coalisão que venceu as últimas eleições e assim a gestão do homem do boné não anda.

Há tempos se ouviam indícios de que Cardinali estaria descontente com a falta de espaço e de protagonismo na gestão que o elegeu vice-prefeito, e agora, o genro de Dagnone de Melo, ex-prefeito da cidade e que teve o próprio Airton como companheiro de chapa, sai da secretaria que ocupava atirando e falando, nos termos modernos, em mimimis e também alienígenas. Senão vejamos: “Deparei, no entanto, com um governo movido por “mimimis” e fofocas, comandado por alienígenas na administração pública que ao invés de servirem à comunidade procuram servir-se priorizando seus mesquinhos e inconfessáveis interesses pessoais”.

Cabe a Cardinali vir a público e se explicar sobre essa frase, que na minha opinião é grave, e precisa ser elucidada. Quem são essas pessoas, Giuliano? Se você sabe, vai denunciá-las ou deixará para calendas políticas essa situação? Vai até a Câmara pedir que vereadores façam uma CPI? Não sei, mas acho que o senhor deve explicações, assim como o próprio prefeito deveria se pronunciar ainda hoje sobre essa situação que atinge diretamente o coração do seu governo.

Todos sabemos que Cardinali, filiado ao PSD, poderá ser um dos postulantes ao cargo de deputado estadual por São Carlos, e no momento notamos que a imagem da Prefeitura na cidade não é (coisa) boa, sendo assim, a saída do vice do cargo de Secretário expõe uma crise, mas também lhe dá a margem para ser um candidato anti-governo, mesmo sendo vice do atual prefeito. Uma situação icônica, mas que pode acontecer, não disse que irá, mas a hipótese não pode ser descartada.

O que será do futuro do prefeito Airton Garcia? Se apegará ainda mais aos seus Secretários Edson Fermiano e Edson Ferraz, por sinal o último com papel preponderante na volta da Suzantur ao município, como Airton poderá conter uma revolta na Câmara se a crise com seu vice chegar até o legislativo? Neste ponto, cumpre pensar: o que os vereadores farão com essa situação? Sua base, apesar de parca e desarticulada, continuará fiel ao governo ou então irão embarcar na onda de Cardinali e também chamarão pessoas que estão na gestão de alienígenas que cuidam de seus próprios interesses?

O fato é que enquanto esses senhores travam essa batalha pelo poder, São Carlos continua no buraco, com ruas imundas, cheia de mato, buracos, com problemas em creches, com a UPA da Santa Felícia fechada, com um transporte público que ainda não é o ideal e vendo sua economia afundar porque não existe uma política de desenvolvimento para o município. A cidade está definhando e todos estes políticos que se colocaram para administra-la tem culpa neste particular.

É preciso saber que a política é a arte do entendimento, um amigo que estimo sempre diz que na política “tudo é jeito”, mas esse pessoal ainda não compreendeu que um projeto de poder que seja truculento ou então como um elefante numa cristaleira jamais cairá no gosto popular. Será que eles não conseguem ver o desastre que é o governo Temer? Talvez não, pois todos eles são de partidos que apoiaram essa aventura nefasta onde o país foi inserido.

São Carlos agoniza, sofre e lhe falta alguém para assumir o comando do barco, um grande timoneiro que nos tire dessas águas absurdamente agitadas e nos leve aos tempos de calmaria.

Qual será a próxima crise?

Renato Chimirri