
O consumo de içás, também conhecidas como tanajuras, e que estão surgindo neste mês de outubro é uma prática alimentar que atravessa gerações em diversas regiões do Brasil, especialmente no interior. As içás são as formigas fêmeas aladas de certas espécies, como a saúva, que saem em revoadas durante o início das chuvas de primavera e são capturadas por comunidades que mantêm essa tradição. Mas por que as pessoas comem içás?
Além de ser uma herança cultural, especialmente em regiões como o sudeste e o nordeste do país, onde o costume é passado de geração em geração, as içás oferecem um alimento rico em nutrientes. Elas são fonte de proteínas, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais. Estudos mostram que a tanajura é rica em ácido oleico, o mesmo presente no azeite de oliva, o que a torna uma alternativa alimentar com benefícios à saúde.
Sabor e tradição
Muitos descrevem o sabor das içás como semelhante ao de castanhas ou camarões secos, com uma textura crocante, o que também ajuda a explicar o interesse por esse alimento. A tanajura pode ser consumida de diversas formas: torrada, frita ou até mesmo crua, e é incorporada em pratos típicos de algumas regiões.
Em estados como Minas Gerais e no interior de São Paulo, o consumo da tanajura faz parte da identidade local, sendo comum encontrar receitas que levam o inseto como ingrediente principal em preparos caseiros. O alimento é também utilizado em festivais gastronômicos, valorizando o aspecto cultural e a sustentabilidade.
Sustentabilidade na mesa
Outro ponto importante é que o consumo de içás se alinha à ideia de sustentabilidade. Insetos, como as tanajuras, são considerados fontes alimentares com baixo impacto ambiental quando comparados a outras proteínas animais. A criação de gado, por exemplo, requer grandes quantidades de água, terra e gera emissões de gases de efeito estufa, enquanto insetos podem ser capturados ou criados com uma pegada ecológica muito menor.
Com o aumento das discussões sobre práticas alimentares sustentáveis, as içás são vistas como uma alternativa viável para compor uma dieta equilibrada. Além disso, essa prática aproveita um recurso que, em muitas situações, seria descartado, contribuindo para um aproveitamento integral da biodiversidade local.
Cultura viva sobre içás
Comer içás, para muitos, não é apenas uma questão de nutrição, mas também de memória afetiva. A revoada das formigas marca o início de um período festivo e colaborativo em muitas comunidades rurais, onde os moradores se reúnem para capturar, preparar e compartilhar as tanajuras. Esses momentos de convivência fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição secular.
Portanto, o consumo de içás vai além do exótico. Ele envolve questões culturais, de sustentabilidade e saúde, sendo uma prática que reflete a diversidade de hábitos alimentares e a relação do ser humano com o meio ambiente.
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