IFSC/USP desenvolve novo sensor genético para detectar e distinguir entre Zika e Dengue

Prof. Dr. Valtencir Zucolotto lidera equipe

Tendo como especialidade, desde há alguns anos, o desenvolvimento de “chips” destinados a detectar doenças infecciosas, o Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do IFSC/USP (GNaNo), liderado pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, acaba de concluir a primeira parte de um grande projeto para a criação de um sensor que consegue detectar a presença do vírus da Zika, distinguindo-o do vírus da Dengue.

Este trabalho foi tema da tese de doutoramento do Dr Henrique Faria, desenvolvida no GNano, e recentemente insere-se em um grande projeto denominado RENEZIKA*, do qual o GNaNo faz parte junto com o Ministério da Saúde, uma rede implementada em maio de 2015 e formalizada no ano seguinte, através da Portaria nº 1046 de 20/05/2016, logo após o surgimento do vírus da Zika, que se expandiria pelo nosso país.

“O trabalho de nosso grupo se concentrou em desenvolver um sensor que detecta e distingue o que é Zika e o que é Dengue, ou seja, ele consegue ler o material genético e confirmar se é Zika, ou não”, esclarece Zucolotto. De fato, existem já sensores destinados à Dengue (testes rápidos), cuja missão, na maioria das vezes, é identificar uma proteína que o paciente infectado tem presente no seu corpo, que é liberada pelo vírus após a infecção, designada NS1. “O problema é que o vírus Zika também expressa a NS1 e aí você não sabe se o paciente está contaminado com Zika ou com Dengue”, explica o pesquisador.

A primeira parte deste complexo trabalho está pronta, onde os autores mostraram o conceito e o desenvolvimento da tecnologia. O projeto continua, envolvendo vários alunos de Pós-Graduação e Iniciação Científica (IC) buscando otimizar a tecnologia e utilizar outras moléculas para detecção, como os anticorpos, o que tornaria o biossensor relativamente mais simples de utilizar. Contudo, a equipe do GNaNo está bastante animada com o progresso do trabalho e com as sucessivas etapas alcançadas rumo à concretização da criação deste sensor genético.

 

*São objetivos da rede RENEZIKA:

I – Subsidiar o Ministério da Saúde com informações de pesquisas relacionadas ao vírus Zika e doenças correlatas no âmbito da vigilância, prevenção, controle, mobilização social, atenção à saúde e ao desenvolvimento científico e tecnológico;

II – Contribuir na formulação e aperfeiçoamento de protocolos e outros documentos técnicos do Ministério da Saúde relativos ao tema;

III – Fortalecer a capacidade de produção de análises epidemiológicas e desenvolvimento de projetos de pesquisa prioritários sobre o assunto para o Sistema Único de Saúde (SUS);

IV – Buscar fontes potenciais de financiamento para pesquisas relacionadas ao tema, otimizando a seleção e execução de parcerias;

V – Promover a participação em eventos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica;

VI – Apoiar e organizar eventos com especialistas nesta área de atuação; e

VII – Fomentar o desenvolvimento de estudos multicêntricos sobre o vírus Zika e doenças correlatas.

A coordenação da Rede é feita por uma Secretaria Executiva, formada por representantes de todas as secretarias do Ministério da Saúde e coordenada pelo representante da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos – SCTIE.

Para alcançar os objetivos traçados, o trabalho em Rede é feito por meio de Grupos de Trabalho com temas específicos.

O funcionamento da Rede é estabelecido por meio do seu Regimento Interno.

A Rede é formada tanto por especialistas e gestores, como por representantes de instituições estratégicas. Os membros da Rede possuem as mais variadas formações, procurando abranger todo o espectro de especialidades necessárias para o enfrentamento da epidemia e suas doenças correlatas.

 

 (Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP)