O Iguatemi São Carlos precisa ser mais são-carlense

O Iguatemi São Carlos precisa ser mais são-carlense
O Iguatemi São Carlos precisa ser mais são-carlense

Desde sua inauguração em 1997, o Iguatemi São Carlos foi recebido com entusiasmo por uma população que via na chegada de um shopping center de grande porte uma espécie de modernização urbana. Era a promessa de um novo ponto de encontro, de consumo e de lazer. No início, cumpriu esse papel. Mas, com o passar dos anos, o encantamento deu lugar a um certo distanciamento — quase uma sensação de que o shopping nunca se tornou, de fato, parte da cidade.

A grande questão que permeia essa história é a identidade. O Iguatemi, ainda que esteja em São Carlos há quase três décadas, parece nunca ter conseguido ser de São Carlos. O são-carlense, esse personagem orgulhoso da própria terra, continuou — e continua — pegando estrada rumo a Ribeirão Preto ou Araraquara em busca de experiências mais completas, mais diversificadas ou simplesmente mais conectadas com seus desejos.

Há, é claro, fatores estruturais que influenciam nesse cenário. A localização do shopping, afastada das principais rodovias, não favorece o fluxo de visitantes de fora, mesmo assim ele acontece, porém poderia ser mais volumoso. Mas esse não é o único obstáculo. O que realmente faz falta é uma conexão simbólica, afetiva e cultural com a cidade. Falta ao Iguatemi São Carlos um senso de pertencimento — e talvez, reciprocamente, a cidade também não se veja refletida nas vitrines e corredores do empreendimento.

Mesmo com boas iniciativas e novas lojas surgindo ao longo dos anos, o shopping ainda parece um espaço importado, um projeto genérico que poderia estar em qualquer cidade média do interior paulista. Mas São Carlos é única. Tem um perfil universitário, tecnológico, com traços culturais próprios e uma população exigente. O comércio, a gastronomia, o lazer e até a arquitetura têm nuances locais que precisam ser lidas e respeitadas para que um centro comercial se torne parte viva do cotidiano das pessoas.

A nova administração do Iguatemi tem uma grande oportunidade em mãos: redesenhar esse relacionamento. Para isso, é preciso mais do que inaugurar lojas. É necessário escutar a cidade, compreender seus ritmos, valorizar seus talentos, apoiar seus eventos, dialogar com seus hábitos. Um shopping não é apenas um lugar para comprar — é também um espaço de convivência, de memória e de representação simbólica.

Se o Iguatemi quiser realmente se consolidar como o principal centro de compras e lazer de São Carlos, precisa, antes de tudo, assumir com orgulho sua identidade local. Precisa se parecer mais com a cidade que o abriga — e menos com um shopping genérico. A boa notícia é que ainda há tempo para isso. Mas é preciso agir. Porque o são-carlense quer se reconhecer nos espaços que frequenta. E, quando isso acontece, ele abraça, valoriza e faz questão de ficar por perto.

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