Inocentado pela Justiça no “escândalo dos cheques”, Poianas conta que acusações o levaram para o alcoolismo

Poianas hoje frequenta o AA

Por Fabio Taconelli, do Jornal Primeira Página

“É uma cicatriz que não vai desaparecer jamais”, resume José Roberto Poianas após a decisão da 2ª Vara Criminal de São Carlos. Em entrevista exclusiva ao Primeira Página, ele relatou um drama familiar. Os filhos eram apontados na rua e no colégio como o ‘parente do ladrão do cheque’.

Deprimido, o ex-secretário afogou-se na bebida alcoólica. “Bebia de segunda a segunda. Começava logo às 7 da manhã”.

José Roberto Poianas promete processar a todos que denegriram a imagem dele no período. “As pessoas me taxaram de ladrão, de chefe de máfia. Até o próprio ex-prefeito, que no momento oportuno será inquirido a provar tudo o que falou”, afirmou Poianas, demonstrando enorme mágoa de Paulo Altomani.

Apesar da declaração, Poianas diz que abriu o coração. Colocou todas as mágoas numa ‘caixinha’ e a guardou num ‘arquivo morto’. “Não tem vingança, não tem ódio. Só quero que Deus me dê saúde para que possam me restituir pelo mal que fizeram”.

Poianas agradece a três pilares que confiaram na sua inocência: “primeiro, a minha família; depois, o doutor Fauvel e terceiro, o Célio Barbeiro”. “Meus filhos foram perseguidos na escola. Imagine seu filho ser apontado pelos colegas: ‘olha, seu pai é o ladrão da Prefeitura?’ Foi exatamente esta a situação que aconteceu com eles”.

Hoje, Poianas trabalha com coach e numa empresa que presta consultoria: a Sage, que trabalha com software, presente em 23 países. Poianas falou de outro drama o alcoolismo. “Todos os dias da semana eram a minha sexta-feira, 6 da tarde. Eu abusei sistematicamente do álcool. E fui buscar ajuda nos Alcoólicos Anônimos. Eu entendi que o alcoolismo é uma doença progressiva e fatal. Estou naquele grupo, que é maravilhoso. Tem de engenheiro a pedreiro, para trocar experiência. O Alcoólicos Anônimos me recuperou”.

Rinaldo Jordão disse que está com o coração calmo e tranquilo diante da decisão. “Eu devo respeito a todos os familiares e amigos que me apoiaram neste momento difícil. Além da solidariedade deles, fico satisfeito com a decisão da Justiça. De fato, sai um peso das minhas costas”.

“Hoje eu não tenho mais empresa. Não gero os empregos que gerava. Não tenho muitas famílias que conviviam comigo. A exposição da minha imagem foi constrangedora, humilhante”, complementou Rinaldo Jordão.

Jordão afirmou que buscará na Justiça a reparação dos danos à sua imagem. O advogado de Octávio, Rafael Taboada, afirmou que houve a demonstração na instrução processual que o seu cliente não tinha conhecimento que o dinheiro emprestado era público. “Tivemos bastante tranquilidade na defesa dele, justamente porque sabemos que não houve dolo, não houve vontade de praticar ato delitivo”, esclareceu.