
Neste final de semana, dias 12 e 13 de abril de 2025, abrimos as portas da Semana Santa com uma leitura tocante e poderosa: Isaías 50,4-7. São palavras que não apenas anunciam o sofrimento do Servo do Senhor, mas que também nos convidam a refletir sobre coragem, entrega e fé diante das provações da vida.
O profeta Isaías fala de um Deus que desperta o coração e adestra a língua para consolar os abatidos. Não é apenas um Deus distante, mas um Senhor que educa para a escuta e sustenta na missão. Em tempos de ruído, de opiniões inflamadas, de julgamentos precipitados nas redes sociais e nas ruas, essa disposição para ouvir e consolar soa como um convite à contramão do mundo. Ser discípulo hoje é, antes de tudo, prestar atenção. E atenção é forma profunda de amor.
Mas Isaías vai além da escuta. Ele fala de uma entrega corajosa — das costas oferecidas às chicotadas, do rosto exposto aos bofetões, da barba arrancada sem resistência. É uma imagem dura, chocante até, mas profundamente verdadeira para quem segue a fé cristã. Na paixão de Cristo, que começamos a meditar nesta Semana Santa, vemos esse mesmo abandono, essa mesma firmeza. Não é passividade — é escolha. É o rosto impassível como pedra não por frieza, mas por saber que há um propósito maior.
E que lição há nisso para nós? Numa sociedade que evita o sofrimento a qualquer custo, que prefere a ilusão do controle ao risco da fé, Isaías nos mostra que há grandeza em suportar com dignidade. Não é sobre aceitar abusos ou injustiças, mas sobre manter a alma erguida mesmo quando tudo parece ruir. Saber que não se está sozinho — “O Senhor Deus é meu auxiliador” — é o que dá força para enfrentar o escárnio, a dor, o abandono.
A abertura da Semana Santa não é apenas um marco litúrgico. É um chamado à autenticidade da fé. É tempo de silenciar para escutar, de olhar para a dor do outro e não virar o rosto, de resistir sem violência e permanecer firme sem arrogância. Em um mundo cada vez mais sensível à aparência e frágil diante da adversidade, a mensagem de Isaías é um lembrete de que a verdadeira dignidade está na fidelidade àquilo que é justo e bom, mesmo sob ataque.
Que nesta Semana Santa, ao acompanharmos os passos de Jesus até a cruz, possamos aprender com Isaías a manter o rosto sereno, o ouvido atento e o coração aberto — porque quem caminha com Deus, ainda que golpeado, jamais será humilhado.


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