Julgar pais que perderam um filho é uma crueldade sem tamanho

O dedo apontado para quem?

Julgar o que aconteceu numa tragédia é tão insensato e difícil que as pessoas deveriam colocar a mão na consciência e pensar se nunca erraram antes de emitir qualquer opinião. A tragédia que abalou a região com a morte de uma garotinha covardemente assassinada em Ibitinga despertou em muita gente o senso de perfeição, tipo assim: “Ah, comigo isso nunca vai acontecer!”

Oras, pode acontecer com você, comigo e com outros, aliás, sinto muito em dizer que irá ocorrer outras vezes. Por isso, não devemos julgar, apenas tentar compreender e buscar meios para que isso não se repita a nossa volta. Temos sempre que lutar para que o cotidiano em que vivemos seja o mais sereno possível, mesmo que o mundo esteja cheio de tempestades.

Perder um filho é indescritível e o que se menos precisa no momento é fazer aquela pergunta: onde estavam os pais? Não sabemos, os pais poderiam estar trabalhando para sustentar a família, uma fatalidade pode ter ocorrido e a vítima escapado da casa, são inúmeras situações que acontecem dentro de uma família que podem culminar numa tragédia, julgar os pais, em meio ao tsunami que é ficar sem seu filho se constitui numa crueldade lastimável e indefensável para qualquer ser humano.

A tragédia brasileira se ergue num estado benevolente com bandidos e isso vem desde a classe mais abastada, basta olharmos os políticos que burlam o sistema de todas as formas, pois tem dinheiro para pagar advogados e com isso entopem os tribunais com recursos e assim escapam notoriamente de inúmeras condenações. Isso quando não são amigos de pessoas inseridas em determinados lugares e assim se tornam intocáveis.

Muitos podem defender a pena de morte para crimes hediondos, mas eu particularmente sou contrário, sou a favor da prisão perpétua, por toda a vida, com a obrigação de se trabalhar e de alguma forma a beneficiar a sociedade e tentar, de maneira mínima, reparar o mal que o criminoso cometeu. Reparem que nos dois cenários, com ou sem pena de morte, quem foi assassinado não pode voltar para os braços de sua família. Portanto, na vida ou na morte, quem cometeu a atrocidade só terá mesmo contas a prestar com o Criador.

Portanto, é muito difícil tocar neste tema sem que pensemos naqueles que estão passando por essa tragédia, infelizmente, quase que cotidiana em todo o mundo. Não julguemos, apenas façamos silêncio em nossos corações e reflitamos sobre o tema.

Renato Chimirri