
O discurso do presidente da Câmara Municipal de São Carlos, Lucão Fernandes, na sessão desta terça-feira (2), foi muito mais do que uma fala protocolar. Foi um recado político claro, direto e carregado de significado para integrantes do primeiro escalão da administração municipal.
Ao afirmar que alguns secretários precisam compreender que a política não se faz apenas com técnicos, Lucão trouxe à tona uma discussão antiga, mas sempre atual: qual é o equilíbrio ideal entre a gestão técnica e a articulação política dentro de um governo?
Ninguém questiona a importância da competência técnica. Secretários preparados, conhecedores de suas áreas e capazes de apresentar resultados são fundamentais para qualquer administração. O próprio presidente da Câmara fez questão de reconhecer esse valor. Contudo, governar uma cidade vai além da elaboração de projetos, planilhas, relatórios e indicadores.
A política é o instrumento que transforma ideias em realidade. São os vereadores que discutem, aprimoram e aprovam projetos. São eles que representam os bairros, recebem as demandas da população e funcionam como ponte entre o governo e os cidadãos. Ignorar esse papel é um erro que pode custar caro a qualquer gestão.
Quando Lucão lembrou que a eleição de Netto Donato foi resultado de uma união política e não apenas técnica, ele destacou uma verdade incontestável. Nenhuma campanha eleitoral é vencida apenas por currículos, títulos acadêmicos ou conhecimento administrativo. Vitórias eleitorais são construídas por alianças, lideranças, diálogo, convencimento e trabalho político.
O alerta feito ao prefeito para que, se necessário, “pese a mão” com alguns integrantes da equipe demonstra que existe uma preocupação crescente dentro da base de sustentação do governo. A mensagem é simples: técnicos são indispensáveis, mas não podem se comportar como se estivessem isolados da realidade política que sustenta a administração.
Governos bem-sucedidos costumam encontrar um ponto de equilíbrio entre esses dois mundos. A técnica aponta caminhos, apresenta soluções e garante eficiência. A política constrói consensos, aproxima pessoas e viabiliza as decisões. Quando uma dessas partes passa a menosprezar a outra, surgem desgastes, ruídos e dificuldades de governabilidade.
O pronunciamento de Lucão não parece ter sido um ataque à equipe do prefeito, mas sim um pedido de reflexão. Afinal, uma administração municipal não se mantém apenas com boas ideias, assim como também não sobrevive apenas de articulação política. É a combinação entre competência técnica e habilidade política que produz governos fortes e capazes de entregar resultados.
O recado foi dado publicamente. Agora cabe ao governo interpretar os sinais, fortalecer o diálogo interno e lembrar que, em política, tão importante quanto saber administrar é saber ouvir.







