Luís Morelli: Se vai a voz grave e gentil do rádio são-carlense

Luís era um grande radialista

“Ô Chimirri! Fala, Chimirri!!”, era assim que o Luís se referia a mim sempre que me encontrava. Ela fazia isso para recordar como outro amigo que foi embora recentemente, o Gerson Edson Toledo Piza, o Juquita, gostava de se referir à minha pessoa. Estive com o Luís Morelli há pelo menos um mês, quando tomamos um café no posto Jatão.

Ele me convidou para conversar porque queria me pedir ajuda em seu novo programa de rádio, o Primeira Página Jornal, edição da manhã, que estava indo ao ar pela ondas da Rádio São Carlos AM. Luís me pediu áudios diários sobre a cidade e o panorama político, ele gostava do que eu falava. Usando sua voz grave, que todo mundo reconhecia no ar, ele falou: “Chimirri, eu quero você comigo naquela bancada no futuro!”

Normalmente, eu não gosto que me chamem de Chimirri, afinal sou Renato, Chimirri é o sobrenome, mas não ligava quando Luís falava assim e isso se dava porque ele era muito gente boa. Um homem educado, gentil, era aquela pessoa que não tinha “boca para nada”. Eu nunca vi o Luís bravo com alguém, sendo deselegante ou então falando mal de uma pessoa. Era daqueles cidadãos que você tinha sempre em alta conta.

Hoje de manhã, acordei com a notícia de que ele havia falecido. Segundo consta, Luís sofreu um infarto enquanto dormia e nada pode ser feito. Uma pena, uma tristeza, algo irreparável, pois ele era uma pessoa do bem que entendia o jornalismo como um ofício comunitário que deveria sempre servir para melhorar à sociedade, dar dignidade a quem precisa. Luís não era um profissional sensacionalista, um cara que gostava de cultuar coisas ruins. Ao contrário, era um amante de vinho. Não tem como alguém que gosta de vinho ser ruim, não é? No último encontro que tivemos, combinamos de tomar umas taças assim que os números da pandemia estivessem mais baixos. Infelizmente, não deu.

Luís me contou como foi o período em que esteve com COVID, os medicamentos que tomou, como foi seu isolamento em casa e me disse dos desafios que enfrentava depois da doença. Ele explicou que uma recuperação deste tipo nunca é fácil e me falou que a COVID foi um grande desafio em sua vida. Eu ouvi tudo atentamente e procurei aprender com aquela experiência, porque o Luís era isso, uma aula a cada conversa.

Sua partida tão precoce se junta a de outros colegas nesse período pandêmico e me faz pensar o que será da imprensa de São Carlos depois que essa pandemia acabar, não é? Porque sim, uma hora ela irá, mas não teremos mais tanta gente boa conosco e o Luís será uma dessas pessoas que infelizmente não nos darão mais o prazer daquele convívio agradável.

A morte precoce de um profissional como Luís Carlos Morelli Machado é a morte da própria imprensa que em São Carlos está cada dia mais pobre, pois os bons estão indo cedo. Hoje é um dia de tristeza e reflexão.

“Boa noite, meu amigo!” Essa foi sua última frase, ontem, dia 5, que o Luís me mandou pelo WhatsApp, assim ele se despediu de mim. Foi a última vez que nos falamos. Hoje, só restou a saudade e a indignação por perder alguém tão bacana de forma tão abrupta. Que triste esses tempos que vivemos, não?

Só posso dizer: Boa noite, Luís! Vai com Deus e seja recebido pelos anjos, meu amigo!

Renato Chimirri