Segundo Datafolha, Lula lidera disputa pela presidência

Foi divulgada hoje mais uma pesquisa do Datafolha sobre as intenções de voto para o próximo pleito. O levantamento foi realizado nos dois últimos dias de novembro, ou seja, antes da condenação de Lula pelo TRF4. Foram realizadas 2.765 entrevistas presenciais em 192 municípios, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%.

O ex-presidente Lula (PT) lidera os cenários para a eleição presidencial em 2018, com Jair Bolsonaro (PSC) em segundo lugar e, na ausência do petista, assumindo a liderança na disputa. Os nomes do PSDB nas simulações de voto, Geraldo Alckmin e João Doria, têm desempenho similar.

Na disputa que inclui Lula, Alckmin e Marina, entre outros, o petista tem a preferência de 36%, e na segunda colocação aparece Bolsonaro, com 18%, à frente de Marina, que fica com 10%. No mesmo patamar da ex-senadora aparecem o governador Geraldo Alckmin (7%) e Ciro Gomes (7%), e na sequência Alvaro Dias, do Podemos (4%), Paulo Rabello de Castro, do PSC (1%), Guilherme Boulos, sem partido (1%) e Manuela d’Ávila, do PCdoB (1%). O presidenciável João Amoêdo, do Partido Novo, não atingiu 1%. Em situação em que o atual presidente Michel Temer (PMDB) aparece como candidato, ele obtém apenas 1% das intenções de voto. Votariam em branco ou nulo 13%, e 2% não opinaram.

Em cenário similar, com João Doria no lugar de Alckmin, Lula permanece à frente (36%), seguido por Bolsonaro (18%), Marina (11%), Ciro (7%), Doria (5%), Alvaro Dias (4%), Paulo Rabello de Castro (1%), Guilherme Boulos (1%), Manuela d’Ávila (1%) e João Amoêdo (1%).

Sem Lula no jogo, Bolsonaro lidera e brancos e nulos aumentam

Quando Fernando Haddad é incluído no lugar de Lula, em disputa que também envolveria Alckmin e Marina, Bolsonaro tem 21% das intenções de voto, à frente de Marina, que aparece com 16%. A indicação de votos em branco ou nulo neste cenário alcança 25%, e 3% preferiram não opinar. Um em cada três eleitores de Lula (34%) optaria, neste cenário, pelo voto em branco ou nulo, e os demais se dividiriam, principalmente, entre Marina (18%) e Ciro (15%). O nome do PT neste cenário, Fernando Haddad, receberia somente 5% dos votos de Lula.

Sem os nomes de Marina e Lula e a inclusão de Joaquim Barbosa entre os presidenciáveis, Bolsonaro lidera com 21%, e Ciro Gomes (12%), Alckmin (11%) e Joaquim Barbosa (8%) formam um bloco intermediário que briga pelo segundo lugar. Votariam em branco ou nulo, nessa disputa, 28%, e 4% não responderam.

Em um cenário sem Marina, Lula e Joaquim Barbosa, com Henrique Meirelles entre os postulantes à Presidência, Bolsonaro continua à frente (22%), e Ciro (13%) e Alckmin (12%) empatam. Um em cada três (30%) votariam em branco ou anulariam, e 5% preferiram não optar sobre essa disputa.

No 2º turno, Lula venceria adversários

Nas simulações de segundo turno realizadas, o ex-presidente Lula aparece à frente em todas as situações nas quais seu nome é apresentado. Contra Alckmin, o petista tem 52% das intenções de voto, e o governador de São Paulo, 30. Votariam em branco ou nulo 16%, e 1% não opinou. Em setembro, Lula tinha 48%, e Alckmin tinha os mesmos 32%.

A disputa contra Marina tem Lula com 48%, ante 35% da ex-senadora da Rede. Há ainda 15% que votariam em branco ou nulo, e 1% que não opinou. Na última pesquisa, o ex-presidente tinha 41%, e Marina aparecia com o mesmo percentual.

No embate entre Lula e Bolsonaro, 51% preferem o ex-presidente, e 33%, o deputado federal. Os votos em branco ou nulo somam 15%, e 2% não respondeu. Em setembro, o petista tinha 47%, ante 33% do adversário.

Se o 2º turno fosse disputado entre Marina e Bolsonaro, a ex-senadora do Acre seria a favorita neste momento, com 46% das intenções de voto, ante 32% do deputado federal. Votariam em branco ou nulo 20%, e 2% não opinaram.

Na intenção de voto espontânea, número de eleitores de Lula diminuiu e de Bolsonaro aumentou desde setembro

Na intenção de voto espontânea, quando o nome dos possíveis candidatos não é apresentado, Lula é citado por 17% (tinha 18% em setembro do ano passado), e Bolsonaro, por 11% (tinha 9%). Com 1% cada aparecem Ciro, Marina, Alckmin, Alvaro Dias e Temer, e os demais não atingiram 1%.

A fatia dos que não souberam apontar nenhum nome é de 46%, ante 48% em setembro. Além disso, 19% declaram votar em branco ou nulo, no mesmo patamar o último levantamento (18%).

A rejeição à possível candidatura do atual presidente Michel Temer é a maior

Os mesmos nomes foram avaliados a partir do critério de rejeição, ou seja, com consulta sobre quais dos listados os brasileiros não votariam de jeito nenhum, e o mais rejeitado neste momento é Michel Temer: 71% não votariam de jeito nenhum em seu nome para a Presidência da República em 2018.

Na sequência aparece Lula (39%), Bolsonaro (28%), Alckmin (27%), Marina (24%), Doria (22%), Haddad (22%), Ciro (22%), Meirelles (22%), Manuela (18%), Alvaro Dias (17%), Paulo Rabello de Castro (17%), João Amoêdo (16%), Guilherme Boulos (16%) e Joaquim Barbosa (15%). Há ainda 1% que votaria em qualquer um deles, e 3% que rejeitam todos eles.

Apoio de Temer levaria 87% a rejeitarem candidato a presidente

O apoio do ex-presidente Lula a um candidato, sem especificar nenhum nome, levaria 29% dos brasileiros a votar neste candidato na disputa presidencial do próximo ano, em uma situação em que o nome do petista estaria fora da urna eletrônica. Outros 21% talvez votassem neste candidato, e 48% não votariam de jeito nenhum no nome apoiado por Lula.

Eventual apoio do juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento de parte dos envolvidos na Operação Lava-Jato, incluindo Lula, na eleição presidencial levaria 23% a optarem por este candidato, e 28% poderiam escolhê-lo. Uma fatia de 45%, porém, não votaria em alguém apoiado pelo juiz da vara de Curitiba.

O apoio mais rechaçado, neste momento, é o do presidente Michel Temer: 87% não votariam em um candidato a presidente apoiado pelo peemedebista, e 3% votariam com certeza neste concorrente, além de 8% que poderiam votar.

Também foi testado no levantamento o apoio de Lula a dois nomes do PT para a eleição presidencial, caso ele não esteja na disputa. O resultado mostra que, a partir da apresentação dos nomes de Fernando Haddad e Jaques Wagner, a taxa de conversão de apoio do ex-presidente em intenções de voto cai na comparação com o apoio genérico apresentado na questão anterior, e sobe a rejeição a estes nomes.

 

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