Luto: Adeus meu vizinho, Cleber! Olhe por nós no céu!

Hoje a minha rua ficou triste: ele não parou a caminhonete na calçada

 

Todo domingo, como o de hoje, 5, eu tenho o hábito de sair com meu cachorro por volta das 6h30 e quando retorno perto da 7 horas ele já estava lá. Parava seu Fiat Strada em cima da calçada do seu depósito, ouvia sempre um Milionário & José Rico, e carregava as caixas com as mercadorias que seriam levadas para o seu comércio. Quando passava em frente do barracão o Cleber sempre dizia: “Bom diaaa!!”

Ele era assim mesmo, falava alto, um rapaz grande, bem humorado, que sempre conversava comigo e contava as histórias da estrada que havia presenciado. Cleber tinha um ritual, saía de sua casa toda a segunda, por volta 1h da manhã, junto com seu parceiro de viagem, e rumava para São Paulo onde buscava mercadorias no CEAGESP. Como já conhecia seu hábito, eu o ouvia sair e ficava tranquilo quando por volta do meio-dia ele chegava na esquina buzinando o caminhão e avisando que a mercadoria tinha chegado.

Cleber era alegre, um cara gentil, assim como seus irmãos, o Jé e o Richard, o querido Tonhão e a sua mãe, a Dona Neide. São meus vizinhos, família querida, de gente decente, trabalhadora e de bem e que de sol a sol nunca deixaram um dia de levantar a porta do barracão para levar sustento à inúmeras mesas, o Cleber era um membro fiel dessa linha, trabalhava duro, não importava o dia.

Quando minha filha estava em férias da escola, ela gostava de ir ao Barracão do Tonhão (ao lado de casa) para ganhar uma fruta. O Cleber sempre lhe dava moranguinhos e o Tonhão deixava ela escolher uma maçã, hoje quando soubemos da triste notícia do falecimento do Cleber Rocha nossa família se abalou e muito, justamente porque estávamos todos rezando pela sua recuperação e tínhamos a certeza de que isso aconteceria, mas a vontade de Deus é só Dele e nós precisamos entende e respeitar.

O Cleber vai fazer muita falta, era um rapaz valente. Uma vez, entraram na casa de um dos nossos vizinhos, arrombaram a porta e roubaram uma televisão. Neste mesmo momento, o Cleber vinha chegando com uma Kombi e viu os ladrões fugindo, não deu outra: ele simplesmente saiu com perua atrás dos bandidos, porém como a VW é bem mais lenta não conseguiu segui-los, mesmo assim não se intimidou e foi tentar ajudar o seu próximo. Isso era o Cleber Rocha na acepção da palavra: um homem disposto, com ele não tinha tempo ruim! A sua perda será irreparável para a sua família e para os milhares de amigos que ficarão sem o seu convívio.

Não é possível aceitar, não é fácil entender, justamente porque na cena mais pacata do mundo que era vê-lo carregando um caminhão de frutas e hortaliças estava a paz que toda uma família tinha. Saber que essa cena que para mim se tornou habitual em minha retina não vai mais acontecer é muito dolorido, triste e impensável.

Os Rocha são boas pessoas, amigos queridos mesmo, a dor delas é a nossa, de todos aqui que residem neste cantinho de São Carlos.

Não dá para explicar, mas apenas sentir o que está acontecendo nesse momento tão duro da história da cidade, do Brasil e do Mundo.

A partida do Cleber é um golpe duríssimo, mas quero dizer à sua família, à sua esposa e a todos que gostavam dele que hoje o nosso amigo já conheceu o céu e está junto dos braços do pai celestial.

Vai em paz, Cleber! Fique bem! Olhe por nós!

 

Renato Chimirri