Luto na imprensa: Morre Gerson Edson Toledo Piza, o “Juquita”

Ele tinha 75 anos

A morte de Gerson Edson Toledo Piza, o Juquita, marca o fim de uma era no rádio são-carlense. Coloca-se um ponto final no modo de fazer rádio da cidade e para a cidade, pois hoje as grandes emissoras, inclusive o prefixo que era ocupado pela Intersom FM, pertence a grandes conglomerados alienígenas e não oriundos no município.

Juquita tinha sua maneira peculiar de tocar a Intersom, empresa que nasceu em sua família junto com seu irmão, também já falecido, Geraldo Eugênio Toledo Piza. A Intersom se orgulhava de ser uma emissora são-carlense como dizia a apresentação do seu jornal durante anos: “dos altos da Vila Nery!”

Juquita, muitas vezes a gente não concordava ideologicamente com suas posições, era uma pessoa que defendia os interesses de São Carlos acima tudo, e no seu jornalismo, isso era uma verdade inquestionável, ouvia a todos, de todos os lados. Tanto é que o próprio ex-senador e ex-ministro Aloízio Mercadante sempre dizia que “a Intersom era o Vaticano da imprensa local”, pois Ruy Cereda, outro emblemático repórter que já nos deixou, era o Papa de São Carlos.

Aos 75 anos, a morte de Juquita, que estava passando por problemas de saúde, é um duro golpe na imprensa de São Carlos, se vai um pedaço da história de tudo o que foi feito na arte de informar. Juquita leva para a eternidade coberturas emblemáticas, histórias sobre São Carlos, seu carinho pelos livros, pela música brasileira e por tantas outras coisas da cidade.

Ele gostava de contar histórias da Biquinha, do tempo em que Marechal Henrique Lott esteve na cidade fazendo campanha, das visitas de inúmeros políticos, empresários, de episódios como a greve do frigorífico, da fundação do Sindicato dos Metalúrgicos, da construção da Catedral, do antigo Hotel Vila Rica, do São Carlos Clube, não havia uma história sobre São Carlos e suas tradições que este comunicador peculiar não conhecesse. A sua morte é um divisor de águas naquilo que chamamos de imprensa local e que alguns desvairados que puxam o saco de bandeiras alienígenas não gostam de valorizar. A memória é algo para poucos.

A ida de Juquita deste mundo é mais um duro golpe em quem acredita que São Carlos poderia ter uma imprensa local feita de pessoas da cidade para a cidade. É uma tristeza imensa dar esse tipo de notícia, um sentimento horrível, de perda de alguém que sempre foi muito amável comigo e com a minha esposa.

Que ele descanse em paz e sua família receba o nosso abraço!

Renato Chimirri