
Mais uma jovem teve sua vida interrompida de forma brutal. Aos 21 anos, uma mulher que deveria estar construindo sonhos, planejando o futuro e escrevendo sua própria história tornou-se mais um número em uma estatística que insiste em crescer: a dos feminicídios no Brasil. Dessa vez, a vítima foi Eduarda Dias Lima e o crime se deu ontem, 10, em Dourado, município vizinho aqui em nossa região.
A notícia choca, revolta e entristece. Mas, infelizmente, já não surpreende. E talvez seja justamente esse o aspecto mais assustador. Estamos nos acostumando a abrir os portais de notícias e encontrar histórias de mulheres assassinadas por aqueles que um dia disseram amá-las. O espanto inicial dura algumas horas; depois, uma nova tragédia ocupa as manchetes e a anterior vai sendo esquecida.
O feminicídio não nasce no momento do crime. Ele é o último capítulo de uma longa sequência de comportamentos lastimáveis. É o resultado extremo de uma cultura que ainda ensina muitos homens a enxergar mulheres como propriedade e não como seres humanos livres para decidir seus caminhos.
É preciso compreender que não se trata apenas de um problema policial ou judicial. Trata-se de uma questão social, cultural e educacional. Enquanto continuarmos tolerando esse horrendo crime, continuaremos alimentando um ambiente propício para a violência. Não podemos mais viver assim…
Também é necessário refletir sobre o silêncio. Quantas vezes percebemos os sinais de que algo está errado, mas preferimos não nos envolver? Quantas mulheres convivem diariamente com o medo sem encontrar apoio suficiente para romper ciclos de violência? Em muitos casos, os sinais estavam presentes, mas foram ignorados ou minimizados. Aqui falamos com a experiência da triste realidade brasileira, neste caso, todas as circunstâncias estão sendo apuradas pela polícia.
Nenhuma prisão devolverá a vida perdida. Nenhuma sentença será capaz de preencher o vazio deixado para familiares e amigos. A Justiça é necessária e deve ser aplicada com rigor, mas ela chega sempre depois da tragédia. O verdadeiro desafio está em impedir que a tragédia aconteça.
Cada feminicídio representa uma derrota coletiva. É a prova de que ainda falhamos em proteger mulheres, em educar para o respeito e em combater a violência antes que ela alcance seu desfecho mais cruel. Nenhuma violência, contra qualquer pessoa ou ser vivo deve ser normalizada.
Que a indignação provocada por mais esse caso não dure apenas alguns dias. Que ela se transforme em reflexão, vigilância e compromisso. Porque uma sociedade que não protege suas mulheres está, na verdade, falhando em proteger a si mesma.
Que a Eduarda descanse em paz! Nossos sentimentos à família!








