Matinê de Carnaval: Os jovens em São Carlos precisam de opções culturais

Polêmica na Matinê

O caso que aconteceu hoje com jovens numa matinê carnavalesca num bar em frente do supermercado Extra evidencia uma coisa: a “garotada” precisa de opções lazer gratuitas e a baixo custo em São Carlos de maneira urgente. É evidente que para fechar uma rua é preciso ter a autorização da Prefeitura e sem isso, não é possível realizar uma matinê na via. Contudo, pelo que soube preliminarmente, parece que o bar também avisou as pessoas que não seria permitido se fechar o passeio público e que a festa deveria ocorrer moderadamente na calçada.

É claro que isso não aconteceu e tivemos relatos de dispersão dos participantes com bombas e gás pimenta por parte das autoridades, o que é ruim, pois quem foi buscar diversão acabou ficando sem aquilo que havia pensado em procurar num sábado de carnaval. Não estou esquecendo também que existiam pessoas que moram na região e que estavam muito incomodadas com o barulho que o evento estava causando, por isso seria fundamental se investir ainda mais em algo oficial e público para a moçada.

Eu mesmo, vi dois pais desesperados, tentando saber notícias de seus filhos na minha frente quando descobriram o que tinha ocorrido na região do supermercado Extra. Eles ficaram, no mínimo, muito chateados e amedrontados e repetiram um jargão que me doeu ouvir: São Carlos não tem opções culturais para os jovens, nem no carnaval e quando surge algo, acaba dando em problema!

Por certo, a Prefeitura de São Carlos deveria olhar com mais carinho para essa fatia da população, eles são gente sensível, sedenta por cultura e tem uma maneira própria de se expressar. Talvez não gostem apenas das marchinhas de Carnaval (e aqui não estou criticando a iniciativa da Prefeitura em fazer carnavais deste tipo, ao contrário, acho a ideia muito inteligente, mas peço diversidade), pois eles querem como diria os Titãs na época áurea da banda: “Não só comida, a gente quer bebida, diversão e arte!”

A molecada quer diversão, quer agito e atividades culturais e temos espaço para isso, basta todo mundo “combinar” direitinho, inclusive com a fiscalização da Prefeitura, com a Guarda Municipal e a Polícia Militar que tudo transcorre dentro da normalidade. O que não pode acontecer é que cenas como as que vi em minha frente de pais desesperados querendo saber de seus filhos se torne algo comum, isso sim é falta de organização de uma cidade que recebe milhares de jovens ano a ano em suas universidades.

São Carlos deveria ser exemplo em política cultural para a juventude, mas parece que a área sempre é relegada para um segundo plano. Passou do momento dos jovens poderem se divertir num carnaval popular e gratuito, de terem um espaço para chamar de seu. Isso também educa e ajuda a moldar caráter e impedir que a bandidagem se aproxime deles. Em tempo, se a sociedade civil se esforçar para fazer algo, ela não precisará reprimir qualquer manifestação que seja. Afinal, hoje é carnaval e o baile certamente ficou sem graça para muitas pessoas.

Renato Chimirri