Médico projeta quadro difícil para a COVID em São Carlos no mês de maio

O vereador Azuaite França (Cidadania) presidiu na última quinta-feira (29), uma audiência pública online da Frente Parlamentar de Enfrentamento da Pandemia da Câmara Municipal, realizada com o objetivo de atualizar informações do quadro atual da pandemia em São Carlos e discutir perspectiva de ações no âmbito do município. A audiência contou com presenças de vereadores e de representantes da Prefeitura, (secretarias municipais de Saúde e de Cidadania e Assistência Social e Comitê Emergencial),  Conselho Municipal de Saúde, Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), COMIND-19, Comitê Independente de Enfrentamento à COVID-19, Unimed e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A Frente Parlamentar foi criada para atuar em conjunto com órgãos da Administração Pública, organizações e entidades para debater e propor medidas de combate à doença do coronavírus. Também objetiva encaminhar ações para minimizar os efeitos sociais da pandemia. No início da audiência, Azuaite fez a leitura de um documento elaborado no mês passado, após a primeira reunião, que apresentou ao Executivo um diagnóstico da situação na cidade e apontou sugestões de providências de prevenção à infecção e à propagação da Covid-19.

O  presidente da Câmara, vereador Roselei Françoso, apontou a necessidade de criação de equipamentos públicos para atendimento multidisciplinar de pacientes de Covid-19 que necessitarão de cuidados após a pandemia. A iniciativa foi destacada também por outros participantes do encontro.

O professor Bernardino Souto, do Departamento de Medicina da UFSCar apresentou um quadro da situação atual da doença na cidade e informou que a perspectiva de abril e maio “é ficar com essa curva de mortes e adoecimentos diários”. A intensidade da transmissão no momento, conforme frisou, é maior que no pior momento de 2020. A seu ver, seguir o Plano São Paulo é estratégia “para não controlar a pandemia”.

Mario Casale Neto, do Comitê Independente de Enfrentamento à COVID-19 de São Carlos, do Move Sanca, informou sobre o projeto de Rastreamento de contatos e Bloqueio Focal do COMIND-19 e a gerente de atenção à saúde do Hospital Universitário, Valeria Gabassa, discorreu sobre a situação naquela instituição, com 100 por cento dos leitos de UTI ocupados, e “cenário crítico” na questão dos insumos para tratamento de Covid-19  e crescimento exponencial de custos.  Ela acentuou que outras medidas precisam ser tomadas para não apenas esperar que os hospitais e UPAs  deem conta de enfrentar a pandemia.

Na mesma linha, o representante da Unimed, Ivan Linjardi, destacou a importância do envolvimento da população nas ações de prevenção da doença e o alinhamento das autoridades de governo e instituições responsáveis pelo combate à Covid-19. “Isso não tem acontecido”, frisou. Linjardi disse que a Unimed triplicou leitos de UTI, mas a situação ainda é crítica com uma demanda crescente que traz preocupação para os próximos meses. Ele também defendeu a formação de um ambulatório para tratamento pós-Covid, dadas as sequelas graves de pacientes atendidos, ampliação da taxa de isolamento, vacinação e controle de infectados.

O secretário municipal de Saúde, Marcos Palermo, citou a montagem da UPA de Santa Felícia para pacientes que aguardam internação hospitalar e falou da dificuldade de recomposição do quadro de profissionais na rede municipal e da necessidade de levar áreas de testagem para regiões como a Cidade Aracy. A seu ver só a vacinação e a testagem em massa, aliadas à conscientização da população terão eficácia para frear a doença. Ele lamentou que esses temas tenham se transformado em  “guerra política que não leva a nada” e classificou o plano nacional de imunização como “uma catástrofe”.

Mateus Aquino, presidente do Comitê Emergencial, apontou a existência de determinação judicial que coloca o município em consonância com o Plano São Paulo nas medidas de enfrentamento da pandemia, impedido ações mais restritivas. Segundo ele, o Comitê Emergencial monitora a situação com a cidade num índice acima de 90 por cento de leitos de UTI-Covid ocupados.

Já o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Denilson Tochio, pregou maior rapidez nas ações de controle no município dado o aumento da demanda de atendimento de pacientes. Ele defendeu mais atenção à Secretaria de Saúde, trabalhadores e Conselho Municipal. Em sua opinião, a secretaria de Saúde, os trabalhadores e o Conselho devem ser ouvidos e barreiras sanitárias devem ser aplicadas.

Rodrigo Zambrano, da OAB, afirmou que a entidade se dispõe a prestar ajuda ao poder público e a secretária municipal de Cidadania e Assistência Social, Glaziela Solfa, apresentou um quadro da demanda de atendimento da pasta, diante do aumento do numero de pessoas que perderam capacidade de renda ou ficaram desempregadas no município. Ela também observou que profissionais de assistência social não foram vacinados e informou sobre o atendimento de grupos específicos como a população de rua, acolhimento infanto-juvenil, de idosos e da casa abrigo das mulheres vitimas de violência.

Na fase final da audiência se pronunciaram os vereadores Cidinha do Oncológico e Moisés Lazarine, a munícipe Silvia Sargenti, o ex-vereador Lineu Navarro e a chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Saúde, Vanessa Barbuto. Foi defendida a imunização de comerciários, motoristas de aplicativos, funcionários da coleta de lixo e agentes de trânsito e rigor contra eventos que geram aglomerações, como uma carreata prevista que vem sendo anunciada para este sábado.

 Azuaite Martins de França, no encerramento do evento informou que a temática da próxima reunião da Frente Parlamentar dará prioridade à vertente da economia no panorama atual, com propostas de encaminhamentos para geração de emprego e renda na cidade.