Entre os mil melhores candidatos no Enem, 72% são homens

Os meninos representam mais de 70% dos mil melhores candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).  Dados tabulados pelo Estado mostram ainda que o total de jovens do sexo masculino se sai melhor nas quatro áreas cobradas pela mais importante avaliação do País. No entanto, eles não representam o maior número de candidatos na prova.

Há também diferenças no desempenho em pessoas com diferentes raças. Moças negras, que são a maior parte dos inscritos no ENEM, representam 6% das notas mais altas. Os meninos brancos são quase 50% dessa “elite” da prova e 15% dos candidatos. A maior diferença está nos exames de Matemática e Ciências da Natureza.

A maior parte do grupo de pessoas bem classificadas no Enem possui perfil semelhante: as idades variam entre 17 e 19 anos, a maioria estudou em escolas particulares e possui renda familiar acima de R$10 mil.

O estudo foi feito com base na parte objetiva do exame de 2016, incluindo ainda Ciências Humanas e Linguagens. O total considerado é de 4,8 milhões de candidatos. Foram excluídos os treineiros e os que tiveram nota zero em alguma área.

“A explicação não deve ser buscada na Biologia, embora cérebros de homens e mulheres não sejam iguais. Mas isso não afeta a cognição, em áreas do raciocínio lógico, muito menos na inteligência”, é o que explica o professor titular de neurociência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Roberto Lent. Para ele, o que mais influencia são as posições da família e os estereótipos da sociedade.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realiza o maior exame internacional do mundo, o Pisa, e mostra que a disparidade nas notas é comum também em outros países.

A prova avalia estudantes de 15 anos em cerca de 70 países. Meninos se saem melhor do que meninas em exames de Matemática e Ciências na maioria deles.

O Pisa pesquisa a questão de gênero na educação com questionários aos alunos. Relatórios recentes mostram que as meninas dizem confiar pouco em suas habilidades em Matemática e se sentir menos motivadas a estudar a área.

O mesmo constatou também que os pais dos estudantes têm mais expectativas com relação aos filhos do quem em relação às filhas para que trabalhem em áreas como Matemática, Tecnologia e Engenharia.

No entanto, países como Finlândia, Suécia, Rússia e Estados Unidos não apresentam mais as diferenças de desempenho em Matemática entre meninos e meninas que ocorriam no começo dos anos 2000. Segundo o diretor do Pisa, Andreas Schleicher, isso aconteceu porque essas nações deram atenção à questão da desigualdade e passaram a oferecer programas especiais para as meninas nessas áreas.