Melissa: a flor de uma saudade que nunca se apagará!

Quando eu recebi a notícia de que a região do shopping tinha ganhado um complexo viário com o nome da minha amiga Melissa de Aquino pensei o seguinte: “Nunca mais vou passar por ali sem derramar uma lágrima ou sentir uma saudade!”

É isso. Saudade é algo que não tem definição, mas é o que sinto da Melissa. Pensa numa pessoa divertida e “bocuda” e que era uma excelente amiga? Pois é, a Melissa era tudo isso e mais um pouco. Enquanto eu cursava Ciências Sociais na UNESP de Araraquara ela estava estudando Administração Pública e por isso fomos contemporâneos e amigos de faculdade.

Nos intervalos das aulas a gente sempre se reunia com a mesma turminha nos bancos do refeitório e ficávamos um tempão dando risada ou então jogando truco (um dos passatempos preferidos dos universitários do meu tempo). Quando ela era minha parceira eu não me conformava com cara que a mesma fazia quando estava carregada de cartas, o olhar cortante era um sinal para que eu ficasse quieto porque ela iria trucar. Se eu trucasse antes, a Melissa “soltava os cachorros”, me xingava e depois caía na risada. Ela era assim: uma mulher baixinha, mas que era um verdadeiro furacão e muito divertida.

Sua voz, que eu gostava de encher o saco dela e dizer que era estridente, me chamava de longe: Renaaaaaatttttooooo! Eu sempre dizia: “Lá vem a menina que tem dois alto-falantes na garganta!” Ela respondia: “Alto-falante tem a PQP!” Resultado? Mais risada.

E quando o nosso Palmeiras era campeão? Melissa e eu nos divertíamos com os corintianos, ríamos “litros” deles. Fico me perguntando o que ela estaria sentido hoje com esse Palmeiras avassalador do Abel Ferreira, certamente, lá do céu, Melissa deve comemorar cada gol do Palestra.

Para mim descobrir que Melissa partiu foi um choque que nunca vou esquecer, pois a vida nos separou por um tempo e eu fiquei sem notícias dela e acabei sabendo pela senhora sua mãe que ela tinha nos deixado neste plano e voltado para a Casa do Pai. Naquele dia, eu estava no salão de festas da Nossa Senhora Fátima e precisei sentar, porque foi um baque grande.

A Melissa não poderia ter partido sem me dar tchau, sem falar que odiava meu tênis azul da Nike, que detestava quando eu cantava música sertaneja atrás dela só para irritá-la. A Melissa não poderia ter ido sem tomar mais um pingado com pão na chapa no Bar da UNESP ou então sem ir comigo em mais uma das memoráveis festas universitárias das quais participamos. Uma vez, em uma festa à fantasia fomos eu e meus amigos vestidos como jogadores do Juventus da Mooca, pois quando ela viu a fantasia veio correndo, gritando, exigindo que arrumássemos uma camiseta para ela ir daquele jeito. Por sorte, tinha uma sobrando e a Melissa foi a única mulher vestida de juventina na festa. Foram muitas risadas e altas histórias que demorariam muitos textos para serem contadas.

Mas na perfeição da vida, Deus a chamou a mais cedo, quis levar o seu perfume para perto Dele. Com isso, nós ficamos aqui todos os dias um pouco menos alegres porque a Melissa não está aqui conosco para nos fazer rir e nos emocionar. Pode parecer que é bobagem para alguns, mas todos os dias eu lembro dela e das coisas pelas quais passamos juntos, desde ônibus quebrado na rodovia até marmita que compramos para comer na UNESP. Foram muitas coisas que somente a saudade, esse sentimento inexplicável, é capaz de guardar. A Melissa não se foi, ela apenas está do outro lado do caminho e tenho a exata certeza que olha por mim e pela turminha da UNESP.

Mê, a saudade é grande! Nunca vai cicatrizar! Até breve!

Renato Chimirri

Abaixo, um breve currículo da Melissa de Aquino:

Melissa de Aquino nasceu em São Carlos, em 4 de abril de 1975, filha de João Paulo de Aquino João Paulo de Aquino e Leda Maria Cardinal de Aquino, servidores públicos, estudou o ensino básico e fundamental na E.E. Luís Augusto de Oliveira e o ensino médio na E.E. Álvaro Guião. Apaixonada por administração e direito público, ingressou, no ano de 1994, na Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Araraquara, e após 4 anos formou-se Bacharel em Administração Pública, cargo que exerceu com louvor na administração municipal, na também cidade vizinha, após lograr sucesso em concurso público no ano de 2002.

Católica atuante na paróquia de São Sebastião, casou-se no dia 17 de outubro de 2005, com Rodrigo Cutiggi, na capela do Colégio São Carlos. Aos 33 anos de idade e aos 5 meses da sua primeira gestação, veio a falecer após complicações geradas pela também morte do feto, na cidade de Araraquara.

Melissa foi sepultada no dia 6 de outubro de 2008 no cemitério Nossa Senhora do Carmo, em São Carlos.