Ministério da Justiça encaminha ameaças a desembargadores à Procuradoria 

O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, disse que o Ministério da Justiça já enviou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) as informações sobre as ameaças sofridas pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF4). 

Veloso reuniu-se nesta segunda-feira (15) com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia e com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Na pauta,questões de segurança envolvendo o julgamento de Lula. Ele entregou ofícios tanto ao CNJ como ao Ministério da Justiça.

Segundo o presidente da Ajufe, Torquato comunicou que já foram enviadas à PGR as informações a cerca das ameaças. Isso foi feito antes mesmo da entrega do ofício da Ajufe ao ministro. Veloso já vinha relatando as ameaças feitas aos juízes envolvidos com o julgamento de Lula.

“As ameaças estavam sendo feitas publicamente, pela internet. Inclusive recebi o áudio e um vídeo de duas pessoas convocando essa manifestação ameaçando depredações e integridade dos magistrados. Por isso é que nós fizemos o requerimento”, explicou Veloso ao Estado.

Depois da reunião com Cármen Lúcia,Veloso admitiu estar preocupado com as medidas de segurança para a realização do julgamento. “Nos preocupamos tanto com relação ao patrimônio público, quanto à segurança dos próprios desembargadores”, ressaltou.

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A presidente do STF tratou do assunto com o presidente do TRF4, desembargador federal Thompson Flores. Dentro do STF, opiniões dizem ser um julgamento delicado, por envolver um ex-presidente e ter impacto direto na próxima eleição.

“Esse caso está tomando uma proporção que nunca se tomou no Brasil. É um caso de proporções novas, em que se está querendo a convocação de militantes, da população para haver uma pressão e até se chegar às vias de fato. Isso é o que não podemos conceber. Se o Brasil é uma democracia e existe um devido processo legal, por que violência a fim de interferir no julgamento do processo?”, questionou Veloso.

Alarde

Para Roberto Veloso, há um “alarde desnecessário” em torno do julgamento de Lula, já que ainda caberá recurso. Em primeira instância, o juiz Sérgio Moro condenou Lula há 9 anos e seis meses de prisão, por conta do triplex do Guarujá.

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“O deferimento da candidatura daquele que está sendo acusado da prática dos crimes será feito pelo Tribunal Superior Eleitoral e esse deferimento só vai ocorrer a partir de agosto. Não precisa esse alarde que se está fazendo agora, há ainda um caminho processual muito grande a ser trilhado. Mas é preciso que a magistratura tenha condições de independência e tranquilidade para proceder o julgamento”, prosseguiu.

De acordo com Veloso, Cármen ressaltou na reunião que o CNJ é o órgão encarregado dos prédios dos tribunais. “Diante disso, nós vamos encaminhar um ofício ao CNJ pedindo providências. Vamos oficializar esse pedido”, informou o presidente da Ajufe.

Fonte: Estadão 
Foto: AJUFE