
Morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, o escritor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, um dos nomes mais importantes da história da teledramaturgia brasileira. Autor de novelas que atravessaram gerações, ele foi responsável por sucessos como “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra” e “Meu Pedacinho de Chão”.
Benedito estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. De acordo com comunicado da unidade de saúde, a morte ocorreu em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal crônica.
Natural de Gália, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. Antes de se consagrar como autor de novelas, trabalhou como jornalista e publicitário. Sua trajetória na dramaturgia começou no teatro, com a peça “Fogo Frio”, encenada pelo Teatro de Arena de São Paulo.
Uma carreira marcada por grandes histórias
Benedito iniciou sua trajetória nas telenovelas na década de 1960. Em 1966, escreveu “Somos Todos Irmãos”, para a TV Tupi. Anos depois, iniciou uma longa relação com a televisão brasileira e se tornou conhecido por criar histórias ambientadas principalmente no interior do país, com personagens ligados à terra, ao campo, aos conflitos familiares e às transformações sociais do Brasil.
Na TV Globo, estreou como autor de novela com “O Feijão e o Sonho”, em 1976, embora já tivesse trabalhado em parceria com a emissora em “Meu Pedacinho de Chão”, em 1971. Ao longo das décadas seguintes, construiu uma extensa obra e se tornou um dos principais responsáveis por levar o Brasil rural para o centro da televisão.
Entre seus trabalhos estão “Cabocla”, “Paraíso”, “Sinhá Moça”, “Os Imigrantes”, “Vida Nova”, “Terra Nostra” e “Esperança”. Algumas de suas histórias ganharam novas versões anos depois, confirmando a permanência de sua obra na televisão brasileira.
“Pantanal” mudou a televisão brasileira
Um dos maiores momentos da carreira de Benedito Ruy Barbosa ocorreu em 1990, com “Pantanal”, exibida originalmente pela TV Manchete. A novela tornou-se um fenômeno de audiência e marcou época ao transformar a paisagem pantaneira em parte fundamental da narrativa.
A trama apresentou ao público personagens que se tornaram inesquecíveis e consolidou ainda mais o estilo do autor, baseado em grandes sagas familiares, conflitos entre gerações, relações humanas intensas e forte ligação com a natureza.
Décadas depois, a história ganhou uma nova versão na Globo, exibida em 2022 e adaptada por seu neto, Bruno Luperi.
“Renascer” e “O Rei do Gado”
Em 1993, Benedito voltou a alcançar enorme repercussão com “Renascer”, história ambientada no universo das plantações de cacau. A novela também ganhou uma nova versão, exibida em 2024.
Três anos depois, em 1996, veio outro de seus maiores sucessos: “O Rei do Gado”. A produção acompanhou a rivalidade entre famílias e abordou temas como disputas por terras, agronegócio e conflitos sociais. O sucesso foi tão expressivo que a trilha sonora da novela vendeu mais de um milhão de cópias em apenas 20 dias.
Outro marco de sua carreira foi “Terra Nostra”, exibida a partir de 1999. A trama retratou a imigração italiana no Brasil e a formação de uma nova sociedade no país entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Seu último trabalho como autor principal de uma novela foi “Velho Chico”, exibida em 2016.
Legado para a televisão
Ao longo de décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa construiu uma obra profundamente ligada ao interior brasileiro. Suas novelas transformaram fazendas, rios, plantações e pequenas cidades em cenários de grandes dramas humanos.
O autor também deixou uma herança artística dentro da própria família. Suas filhas, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, seguiram carreira na televisão, assim como o neto Bruno Luperi, responsável por adaptações recentes de obras criadas pelo avô.
Com a morte de Benedito Ruy Barbosa, a televisão brasileira perde um dos autores que ajudaram a definir a linguagem da novela no país. Suas histórias, personagens e grandes sagas familiares permanecem como parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.








