Morre o lendário médico neurologista Pedro Kamimura

Morreu nesta terça, 2, o lendário  neurologista são-carlense Seiya Pedro Kamimura. Atencioso com seus pacientes, Dr. Pedro como era carinhosamente chamado, cuidou de muitas pessoas e hoje foi encontrar a glória maior na Casa do Pai.

Em 2017, o também médico Lenon Tiossi, fez um texto comovente sobre o Dr. Pedro e o seu trabalho:

Dr. Pedro Kamimura

Bom dia, amigos!

Esse texto de hoje tenho adiado há muito tempo.

Pensando que a gratidão é a maior virtude das almas nobres, venho por meio desse texto deixar registrado, em nome da Cidade de São Carlos e Região nosso reconhecimento a um guerreiro chamado Dr. Pedro Kamimura.

Como médico, é desprovido de vaidade, egocentrismo, sempre falou pouco e agiu muito.

Merecia uma Avenida em seu nome, mas sua timidez supera a empáfia, e também porque as pessoas só homenageiam, em grande parte as pessoas em duas situações: ricos e seus parentes cujos feitos nunca se soube ou in memoriam, para fazer sensacionalismo.

Tá aí a dica.

Salvou milhares de vidas ao longo de mais de 40 anos de carreira se dedicando a Neurocirurgia e Neurologia.

Acredito que metade da cidade, hoje em idade adulta, já foi atendida por Ele em algum momento.

Tive o prazer de trabalhar e aprender muito com Dr. Pedro até sua aposentadoria há, aproximadamente três ou quatro anos atrás e tive muitos bons exemplos, assim como muitos que tiveram a oportunidade de conviver com ele.

Algumas coisas que muita gente não sabe: toda vez que Dr. Pedro era chamado para avaliar um paciente, independente do horário, mesmo que fosse um caso de baixa gravidade ele vinha para o hospital imediatamente.

Com dificuldade visual e de madrugada, pegava seu carro e vinha ver o doente, e, sempre me enganei ao pensar que sua casa ficava próxima ao hospital. Ele mora do outro lado da cidade, cruzando a Rodovia Washington Luiz.

No CEME atendia diariamente e sua obrigação era atender doze consultas diárias, mas sua generosidade e amor a profissão o faziam atender próximo de trinta ou mais por dia sem reclamar.

Certa vez chego no CEME, Dr. Pedro já aposentado e enfermo na ocasião, por diabetes; chega ao meu ouvido que um médico se recusou a fazer uma receita de insulina para ele.

Até hoje queria saber quem foi, mas nunca me disseram.

Lembro sempre desse fato quando chego no CEME para atender e fico imaginando o dia que eu ficar velho e doente, qual a deferência que os jovens médicos terão comigo.

Então peço a Deus que esse colega, tome consciência do que fez e reflita, pois quem negligencia uma vez corre o risco de tomar como hábito, então mude, porque a medicina não é para qualquer um.

Escreva a sua história para um dia seus filhos terem mais de uma linha para ler e se orgulharem de você.

Falando em filhos Dr. Pedro tem nove e uma esposa que o adoram e o cercam de carinho o tempo todo.

Para as pessoas que o conhecem pessoalmente ou somente por nome saibam que Dr. Pedro está bem de saúde, inclusive estamos tentando trazê-lo de volta ao trabalho, mas esse guerreiro já enfrentou muitas batalhas e merece curtir sua família.

Gostaria de encerrar dizendo ao senhor Dr. Pedro, que sempre o admiramos muito como médico, ser humano e sentimos muito a sua ausência no hospital.

Obrigado pelo carinho que sempre teve comigo desde quando eu estava engatinhando na profissão e por tudo que me ensinou.

Tenho o Senhor e toda sua família no meu coração.

“ A gratidão é único tesouro dos humildes”. Shakespeare

Grande abraço, do seu amigo,

Lenon Tiossi