Mortes por COVID de pessoas mais jovens assustam a região de São Carlos e Araraquara

Exames para identificar o vírus

A investigação pelo SESA (Serviço Especial de Saúde de Araraquara) se uma nova cepa da COVID-19 está perambulando pela região é urgente, pois o perfil dos casos tem se modificado e deixado as autoridades de saúde em desespero.

Em São Carlos no dia de ontem, 11, foi registrado o óbito de uma mulher de 35 anos que morava em Santa Eudóxia, segundo o apurado, a pessoa mais nova que veio a falecer por COVID-19 durante a pandemia na cidade. Em Araraquara, no início desta semana, por exemplo, duas mulheres de 35 e de 49 anos morreram em decorrência da COVID-19. Entre o final de janeiro e o começo de fevereiro, também foram registrados óbitos em um homem de 27 anos e em três mulheres de 26, 30 e 31 anos.

A situação entre as duas cidades tem algumas semelhanças, porém também diferenças. A cidade vizinha, tem confirmado quase que diariamente mais de cem casos positivados por dia. Enquanto que São Carlos, há dias está na média entre 50 e 60 casos, apesar de também estar registrando, assim como a Morada do Sol, óbitos diários e ter praticamente todas as vagas de UTI ocupadas, tanto que no dia de ontem, todos os leitos adultos de COVID estavam preenchidos por doentes.

A nova cepa da COVID-19 já é registrada em alguns países do mundo e em cidades brasileiras, e isso significa que o coronavírus passou por mutações e alterações em seu material genético conforme foi sendo transmitido de pessoa para pessoa.

“Houve um agravamento da pandemia nas últimas semanas e nós precisamos identificar o que mudou. Para monitorar a possível circulação da nova cepa, pedimos auxílio ao Sesa, que nos atendeu prontamente”, afirma a secretária de Saúde de Araraquara, Eliana Honain.

Entre os profissionais de saúde da região as últimas semanas foram vistas com preocupação. Pacientes mais novos estão tendo complicações da COVID-19, e não apenas os grupos de risco (principalmente idosos), como geralmente era até o ano passado. Para piorar, observou-se que há paciente cada vez mais precisando de hemodiálise, tanto que este número dobrou na Santa Casa.

Dobrou

Em São Carlos, onze pacientes com lesão renal aguda decorrente da COVID-19 estão recebendo tratamento pelo Serviço de Nefrologia da Santa Casa. É mais do que o dobro se comparado ao mês de dezembro, quando 4 pacientes precisaram de hemodiálise.

“Além de o número de pacientes ter aumentado significativamente de janeiro para cá, o quadro de saúde dos que chegam até nós é muito mais grave”, explica o enfermeiro responsável técnico do Serviço de Nefrologia, Elio Vieira da Silva Júnior.

Com esse aumento, o número de sessões de hemodiálise em pacientes acamados também disparou. Em média, antes do início da pandemia, o Serviço de Nefrologia realizava 51 sessões por dia na UTI Geral (já que não havia UTI COVID até então). Em janeiro, foram feitas 100 sessões por dia na UTI Geral e na UTI COVID.

Para não deixar os pacientes desassistidos, as sessões de hemodiálise na UTI Geral e na UTI COVID estão sendo feitas de madrugada. “Nossa preocupação é que o número de casos não para de subir. Os nossos profissionais de saúde, assim como todos os outros ao redor do mundo, estão esgotados. Se a demanda continuar aumentando nesse ritmo, não teremos nem estrutura nem equipe médica e de enfermagem suficientes e poderemos entrar em colapso no mês que vem”, ressalta o enfermeiro responsável técnico do Serviço de Nefrologia, Elio Vieira da Silva Júnior.

Além do crescimento em função da COVID-19, o Serviço de Nefrologia registrou também aumento do número de pacientes renais crônicos. Em maio de 2019, quando a Santa Casa assumiu o serviço que antes era terceirizado, 199 pacientes faziam hemodiálise e 2 pacientes, a diálise peritoneal (o hospital fornece o equipamento e treinamento para que o paciente possa fazer o tratamento em casa). Neste momento, esse número subiu para 216 pacientes na hemodiálise e 5 na diálise peritoneal.