
Há crimes que beiram o inacreditável. O furto de uma muleta de um idoso de 65 anos, com deficiência, ocorrido em São Carlos, é um desses exemplos que expõem o quanto a crueldade humana pode ultrapassar qualquer limite ético ou moral.
Não se trata de um simples objeto levado. Uma muleta, para quem dela depende, não é um acessório: é um direito de ir e vir, é a ponte entre a dor e a possibilidade de autonomia. Subtraí-la de alguém que já vive à margem, dormindo na rua, é mais do que crime — é barbárie. É a tradução perfeita da insensibilidade e da degradação social que nos cerca.
Quem rouba de um deficiente aquilo que lhe permite caminhar não está em busca apenas de um bem material. Está, sim, praticando um ato de covardia, de desumanização e de desprezo pelo próximo. É olhar para a fragilidade e, em vez de estender a mão, empurrar ainda mais fundo no abismo da exclusão.
O episódio deveria envergonhar a todos nós. Que cidade é essa em que um idoso com deficiência, já vulnerável, se torna vítima da perversidade de quem, incapaz de respeito ou compaixão, vê na muleta um alvo?
Não há justificativa, não há atenuante. É um crime que simboliza a falência da empatia e escancara o retrato de uma sociedade que precisa urgentemente rever seus valores. Porque se já nos tornamos indiferentes a algo tão cruel, o que mais estamos dispostos a aceitar?
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