Mulher conta sua luta para se livrar de perseguidor

Daniela, nome fictício pedido pela entrevistada, tem 28 anos e um filho de cinco. Ela morava numa cidade da região e há dois anos passou em um concurso para a área educacional de São Carlos. “Não morava mal, minha cidade é grande, mas quando consegui essa vaga aqui em São Carlos resolvi respirar novos ares”.

Ela precisava de novidades em sua vida, pois quando estava em sua cidade conheceu um rapaz num barzinho enquanto jantava com suas amigas, a relação evoluiu para mais dois encontros e eles estavam dispostos a viver um relacionamento. “Fizemos coisas normais, o que um pretenso casal faz nos dias de hoje, conversamos um pouco e trocamos contato, ele insistiu para sairmos mais uma vez, e então aceitei, tivemos mais dois encontros”, disse.

O segundo encontro foi um pouco mais íntimo e eles tiveram o início de um relacionamento, mas a partir dessa intimidade Daniela começou a ficar assustada. “No dia seguinte ele mandou mensagem, depois mandou flores, eu gostei, achei romântico, mas no outro dia logo de manhã estava na porta da minha casa, querendo entrar”, diz.

Daniela diz que o deixou entrar em sua casa, pois não esperava ver algo que não fosse comum. “Mas ele entrou e quis revistar a casa, ver se tinha alguém comigo e nessa hora a luz vermelha acendeu, coloquei tudo em pratos limpos e disse que isso não poderia avançar se não houvesse confiança, ele fez cara de choro, pediu desculpas, e foi embora”, ressalta. “Deixar entrar foi um erro e reconheço isso”, prosseguiu.

Naquele dia, Daniela disse que o homem não fez mais contato, mas que depois lhe cobrou uma posição sobre o relacionamento. “Eu confesso que estava com medo dele e disse pelo celular que não deveríamos mais nos ver, acho que esse foi meu erro, naquele momento fui xingada e depois comecei a receber ameaças”, relatou.

A jovem mãe explicou que durante um mês recebia xingamentos nos celular, ameaças, palavras fortes e depois vinha um pedido de desculpas onde o sujeito se dizia apenas um grande apaixonado. “Neste momento eu já tinha medo de sair para trabalhar, para fazer qualquer coisa, parecia que estava sendo observada”, revela.

Daniela conheceu um novo namorado, mas as ameaças do homem com quem ela rompeu um breve relacionamento se intensificaram. “Ele descobriu que eu estava namorando e falou várias coisas pra mim, meu deu muito medo, então procurei a polícia e fiz um boletim de ocorrência, fui muito bem atendida e sei que ele foi chamado na delegacia e teve que dar explicações”, argumentou. “Tive apoio da minha família e amigos, contei tudo a eles e isso foi fundamental, me senti protegida!”, emendou.

De acordo com Daniela, depois disso o homem não a procurou mais. “Eu me senti aliviada, nunca mais veio mensagem dele, nunca mais fui incomodada, tomo meus cuidados, contudo no meu caso só tenho a agradecer o que fizeram por mim e aconselho sempre as mulheres que se sentirem perseguidas a procurarem as autoridades, pois temos o direito de viver em paz como qualquer homem”, destacou.

Daniela explicou que agora nesta nova fase de sua vida se adaptou bem à São Carlos e que as ameaças ficaram no passado de sua cidade. Hoje ela mora num apartamento perto do Centro e afirmou que está cheia de planos. “Espero que as mulheres tenham coragem e não se calem diante de ameaças, procurem as autoridades”, finalizou.

 

Renato Chimirri

Imagem de Omni Matryx por Pixabay