Na contramão de cariocas, clubes paulistas mostram receio sobre retorno do futebol

Os clubes de São Paulo parecem estar de acordo que um retorno precipitado das competições não é o melhor dos cenários. Em reunião virtual realizada nesta semana, dirigentes das equipes e da Federação Paulista de Futebol (FPF) se uniram em um discurso que prega a cautela na volta aos treinos.

A videoconferência reuniu os presidentes de todos os times da primeira divisão do Campeonato Paulista, incluindo José Carlos Peres (Santos), Andrés Sanchez (Corinthians), Maurício Galiotte (Palmeiras) e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco (São Paulo). Também estiveram presentes o presidente da federação, Reinaldo Carneiro Bastos, e alguns dirigentes importantes da FPF, o que confirma o alinhamento dos clubes com a entidade que organiza o Paulistão.

Em comum acordo, as equipes do estado devem seguir as orientações das autoridades paulistas e não precipitar o retorno, que só deve acontecer após um aval do governo do estado mediante a crise provocada pela Pandemia. São Paulo é o estado que registra o maior número de casos e mortes por Covid em todo o país.

Além disso, ficou definido que as equipes deverão testar seus jogadores em um mesmo dia para a partir daí criar uma agenda progressiva para o retorno das atividades. A ideia é que todos retornem aos treinos na mesma data, que ainda não foi definida. Diferentemente de outros estados como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, nenhum dos grandes clubes voltou aos treinos em São Paulo.

O posicionamento dos clubes foi endossado pela Federação Paulista em nota divulgada após a reunião. “O futebol paulista, unido e consciente de seu papel perante a sociedade, afirma que apenas voltará às atividades quando as autoridades de saúde estadual e municipais permitirem, preservando a integridade de todos os envolvidos na organização das partidas. Esta coesão e o compromisso com a saúde pública também se refletem no retorno aos treinos. Em comum acordo, todos os clubes decidiram voltar aos treinamentos em conjunto, na mesma data, que será acordada assim que houver a autorização por parte das autoridades de saúde. O mesmo prazo será aplicado à equipe de arbitragem da FPF”, diz o documento.

Quem também publicou uma nota foi o Corinthians, por meio do presidente Andrés Sanchez. Em carta aberta, o clube reiterou seu posicionamento contrário ao retorno das atividades sem um mínimo de planejamento possível e também comparou a situação do Brasil com a da Alemanha, que retomou sua liga neste mês.

“Somos testemunhas dos elogiáveis esforços da CBF, da Federação Paulista de Futebol e de outros clubes. Mas é preciso repensar de forma ampla o papel do futebol e sua influência nesse jogo. Na Alemanha, houve diálogo intenso entre todos os agentes políticos e esportivos, e um princípio foi claro para a Bundesliga: o futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia. Quando a sociedade confiou no sucesso do combate alinhado entre governo e estados alemães, a Bundesliga finalmente retomou seus jogos em sincronia. O futebol brasileiro, porém, caminha para outra direção”, disse o presidente.

“Se o combate ao vírus não tem alinhamentos entre os governos, no futebol as reações estão ainda mais fragmentadas. Com decisões facultadas aos Estaduais, criam-se ruídos. O futebol perde muito como produto quando transmite que, para a bola rolar, basta decidir qual clube está mais pronto ou qual estado está mais disposto a riscos enquanto se somam mais de mil óbitos por dia.”, completou Sanchez. A carta também teve apoio do presidente do São Paulo.

São Paulo na contramão do Rio de Janeiro

 

A união dos clubes paulistas em relação à cautela sobre o retorno aos treinos vai no caminho contrário ao do vizinho Rio de Janeiro, segundo estado mais afetado pela crise do Covid-19. Por lá, a grande maioria dos clubes defende a volta das atividades.

No entanto, o movimento não teve o apoio de Botafogo e Fluminense, que são absolutamente contrários à volta. “O que mais impressiona é a união dos grandes clubes de São Paulo, que deixaram a rivalidade de lado e mostram um tom afinado no discurso. Isso não acontece no Rio, que tem Flamengo e Vasco de um lado e Botafogo e Fluminense do outro”, diz Rodrigo Dias, editor do portal sitesdeapostas.bet, que acompanha de perto a repercussão do assunto.

Liderados por Flamengo e Vasco, cujos presidentes até se reuniram com Jair Bolsonaro para discutir um possível retorno do Campeonato Carioca, os clubes emitiram uma nota juntamente com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) reiterando o desejo de retorno das atividades o mais rápido possível. O Flamengo, inclusive, já está treinando no campo.

Outro estado que parece estar em um caminho contrário ao de São Paulo é o Rio Grande do Sul. Desde o início do mês, Grêmio e Internacional realizam treinos e aguardam por um aval da federação gaúcha para a retomada do campeonato estadual.

As competições de futebol em todo o Brasil estão paralisadas há mais de dois meses, quando foi declarada a Pandemia. Ainda há a necessidade de reformulação do calendário, já que os estaduais sequer foram encerrados.